Legendas & Etcaetera

Setembro 28, 2009

A política do dia

Arquivado em: Manifes, Momentos Pathé, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 4:53 pm

Hoje a vida tem o sorriso
dentífrico dos candidatos
e pelas ruas nos aponta
o céu, em múltiplos retratos.

Céu não póstumo ou merecido
em cruel sala de espera
mas entre parêntesis de fogo
festiva véspera de guerra.

Teor de montras a vida
com democrático humor
a todos deixa viver
a sua dose de flor.

Publicitária a vida faz
sua campanha eleitoral
prato de vida apetitosa
temperada com humano sal.

Televisor férias de Verão
tira a vida do seu discurso
e um amor provençal
que nos domestica o urso.

Popular a vida é toda
pétalas de apertos de mão.

Que meus versos me vinguem
de cair nesse alçapão!

In «Poemas a rebate», Natália Correia

Francis Alys-Untitled in 4 parts, various sizes, incl. 1 encaustic, paper and adhesive on linen-oil and enamel on tin

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Setembro 3, 2009

Petição

Arquivado em: Uncategorized — casoual @ 1:39 pm

Agosto 28, 2009

«O que a imagem representa, é o seu sentido.»

Arquivado em: Manifes — casoual @ 7:58 am

«O facto tem que ter, para ser imagem, alguma coisa em comum com o que é representado pictorialmente.» Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

crise

Os Gandarinhas da Revolução e os novos Chalets

Arquivado em: Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 1:51 am

É com profundo nojo que vejo, mesmo à minha porta, desaparecer para sempre a antiga residência do governador do Forte do Bom Sucesso, em vias de classificação pelo IPPAR desde 1991, num processo rocambolesco, é o mínimo que pode dizer-se, e em véspera de eleições autárquicas. Aliás, toda a zona onde habito está sob o CAMARTELO. Lavre-se e cumpra-se o despacho. Cumpra-se, não vá o diabo tecê-las. Viva a pós-modernidade e os seus novos palácios cenográficos! «Construções de tão apurado bom gosto que nenhum existe no País que se lhe compare.» Dele se rezava assim:

«Palacete seiscentista de volumetria simples, com dois pisos, rasgado no andar térreo por um túnel abobadado em madeira com arco em asa de cesto que o atravessa e permite passagem pública. As fachadas são ritmadas por pilastras adossadas, que distribuem ao nível do rés-do-chão janelas de verga recta ou curva e ao nível do segundo piso janelas de sacada, com grades de ferro forjado e um varandim já do século XIX. Na passagem rasgam-se, de cada lado, três portas de verga recta. Boa parte dos vãos de portas e janelas sofreram alterações no século XX, estando o edifício na posse de um particular

E cito ainda, de O Carmo e a Trindade: «Cronologia recente: 1983 – aquisição do imóvel pela agência imobiliária SODER, Sociedade de Imóveis do Restelo L.da; 1993 – penhora pela Fazenda Nacional; 1994 – cancelamento da penhora; 1994 – pedido de informação prévia apresentada à CML pelo gabinete de arquitectos Moura-George, relativamente a projecto de remodelação do imóvel com ampliação de volumetria e demolição das casas anexas, o qual é rejeitado pelo IPPAR por não se enquadrar no Plano de Pormenor da zona do Bom Sucesso, que não admitia alterações na volumetria construída (consta do Inventário Municipal do Património do PDM); 2001 – IPPAR rejeita projecto apresentado pela SODER para renovação e ampliação do imóvel, com vista à construção de um hotel; é entaipado o túnel de passagem, em risco de derrocada; 2003 – a Câmara Municipal de Lisboa impõe obras coercivas, em detrimento do proprietário; é retirada a lápide com inscrição do volume anexo. Seguidamente, o edifício arde espontaneamente.»

Espontaneamente, saliento eu, que chamei os bombeiros por várias vezes, duas delas no mesmo dia. Nem as telenovelas das Produções Nicolau Breyner nos valeram.

casa do governador

Hoje, a nota histórico-artística do IPPAR reza assim: «O Forte do Bom Sucesso foi edificado em 1780, sob a direcção do General Vallerée, entre as praias de Bom Sucesso e Pedrouços, reforçando a linha defensiva de Belém. Na mesma época foi edificada a residência do governador da fortaleza, no perímetro do baluarte, a expensas da coroa.
Possivelmente, a obra foi concluída nos primeiros anos do século XIX, atendendo-se à inscrição colocada sobre uma das portas de entrada, onde se gravou “[...] A REAL/ CROA PARA PATRIMO/ NIO DA FORTALEZA/ DO BOM ÇOCEÇO/ ANNO DE 1802 “.
Embora esteja muito degradado, o edifício mantém a estrutura de gosto oitocentista. De planta rectangular, possui fachada principal dividida em três panos, marcados por duas pilastras adossadas, dois registos e águas furtadas.
Ao centro, no piso inferior, abre-se um grande arco, que através de um túnel permitia a passagem para a praia do Bom Sucesso, e que actualmente se encontra entaipada. Do seu lado esquerdo foram rasgadas duas janelas de peito, do direito duas portas.
No piso superior abrem-se seis janelas de sacada, duas em cada pano, com varandim de ferro. Ao nível das águas furtadas, existem seis mezzaninos. A fachada posterior é em tudo semelhante à principal.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR, I.P./ 6 de Novembro de 2007»

e

«Protecção
Situação Actual Encerrado
Categoria de Protecção Encerrado (processo individual), mas abrangido em conjunto protegido
Decreto Despacho de revogação de 14.01.2009 do Director do IGESPAR; DRCLVT propôs revogação em 18.11.2008 por estar em ruína após incêndios; Despacho de abertura de 7.02.1991 do Presidente do IPPC; Gabinete de Ajuda/Belém propôs classificação em 18.01.19991»

casagovernador

E termino com mais esta citação retirada do Dicionário da História de Lisboa:

«Descendo, encontra-se a Rua da Praia do Bom Sucesso, que termina num prédio com arco, que dá passagem para a Marginal e, antigamente, era o acesso para o Forte do Bom Sucesso. Nesse prédio, cujo arco deve o nome à Rua e à Travessa do Arco da Torre, viveu, episodicamente, Almeida Garrett, em 1852.» Francisco Santana e Eduardo Sucena, dir., 1994, sob a entrada Sítio do Bom Sucesso

Veremos se o plátano centenário, de nome científico platanus orientalis, classificado como árvore de interesse público – L.- D.R. nº 256, II Série, de 06/11/2000 lhe resiste.

Julho 2, 2009

«Des moments d’amour pur»

Arquivado em: Uncategorized — casoual @ 12:52 am

«Longtemps, j’ai pensé que le rôle de l’artiste était de secouer le public. Aujourd’hui, je veux lui offrir sur scène ce que le monde, devenu trop dur, ne lui donne plus : des moments d’amour pur.» Pina Bausch

PINA BAUSCH

LE SACRE DU PRINTEMPS – STRAVINSKI

Un extrait de cette chorégraphie mythique (1975)

PINA BAUSCH – LE SACRE

Junho 24, 2009

Educação Negativa

Arquivado em: Livros — casoual @ 1:24 am

Leitura de excertos de A Ilha Está Cheia de Vozes, de João Medina, com fundo musical de Pink Floyd, The Wall Live.

Peter Breughel, Paisagem com a queda de Ícaro

Peter Breughel, Paisagem com a queda de Ícaro

Junho 22, 2009

Lisboa no Ano Três Mil

Arquivado em: Livros — casoual @ 1:07 pm

Leitura de excertos de Lisboa no Ano Três Mil, de Cândido de Figueiredo, com fundo musical de Nikos Mamangakis para o filme de Edgar Reitz, Die Zweite Heimat (Abertura).

António Dacosta, Tau ou Os Porcos do Retábulo de Issenheim, 1990

António Dacosta, Tau ou Os Porcos do Retábulo de Isenheim, 1990


Junho 3, 2009

Sobre o Estado: algumas leituras – III

Arquivado em: Polis — casoual @ 3:36 am

Citando Zaratustra, que Gide tanto apreciava e de que Nietzsche se serve para denunciar «antecipadamente» tanto Estaline como Hitler: «Vou falar-vos da morte dos povos. O Estado mente. Mente em todas as línguas do bem ou do mal. Tudo o que tem foi roubado. Mente quando diz: “Eu, o Estado, sou o povo”. É o mais frio de todos os monstros frios. Suspende sobre eles – os povos – um gládio e cem desejos. O Estado, o lugar onde todos, lentamente, se matam – e a que se chama “a vida”. É apenas onde o Estado acaba que começa o homem.»

Philippe Mayaux

Philippe Mayaux

Maio 22, 2009

João Bénard da Costa (1935-2009)

Arquivado em: Blogues, Cinema, Jornais — casoual @ 8:50 pm

Os Filmes da Minha Vida, um blog aonde podem ser lidos textos de João Bénard da Costa. Claro que há depois tudo o resto: a «Concilium», «O Tempo e o Modo», a Moraes, etc., etc., E AINDA, UMA VEZ MAIS, A MINHA MÁGOA: não danço a valsa de muitos, como foi com o Eduardinho (Prado Coelho), p.e., pois quem se instala e não deixa espaço e lugar aos outros cava também um buraco na minha memória (que merda de Revolução carnívora esta de VIPes, de gente que continua a ir de falsete à ópera, estendendo o boné.

Crónica no Público de 22/04/07
Crónica no Público de 22-04-07

Maio 17, 2009

Sobre o Estado: algumas leituras – II

Arquivado em: Polis — casoual @ 4:13 am

Em vésperas da Revolução Vintista, os reis diziam, segundo Borges Carneiro, no seu Portugal Regenerado em 1820: «Os meus reinos, o meu povo, os meus vassalos.» Fosse dinheiro de sua casa ou rendimentos da nação: «A minha Fazenda.» Sobre negócios do Reino: «Porque assim convém ao meu serviço; sou servido ordenar…»

V. Larbaud

Imagem: V. Larbaud no Zoo de Lisboa em 1926

Maio 14, 2009

Sobre o Estado: algumas leituras – I

Arquivado em: Polis — casoual @ 2:57 am

Notas em trânsito interdisciplinar para quem delas quiser tirar proveito

«As nações podem ter passado uma longa vida antes de terem alcançado este seu destino, e durante este período podem ter atingido uma cultura considerável em muitos campos. [...] Mas é o Estado quem primeiro apresenta matéria que não só se adapta à prosa histórica, como envolve a produção de tal história no mesmo progresso do seu próprio ser.» Hegel, Lições de Filosofia da História


Francis Alÿs, Cuentos Patrioticos, 1997

Imagem: Francis Alys, Cuentos Patrioticos

Maio 11, 2009

A velha aliança volta à carga num novo pasquim

Arquivado em: Amanuenses, Jornais — casoual @ 6:51 am

«O mistério inglês e a corrente de ouro» explicado às crianças ou de como Sir JCE conheceu Sir Popper e nunca mais parou de ver bicos róseos em Oxford. (Recorde-se a história dos happenings semanais de outrora, nomeadamente o de «O bom homem, a beldade búlgara e o cavalheiro», noutro pasquim de referência.)

Peter Beard

Imagem: Peter Beard, Aerial Ele Herd

Maio 5, 2009

Vasco Granja

Arquivado em: Cinema — casoual @ 5:13 am

Uma Vida Cheia de Animação, 1925-2009 mrmagoo02 «Vasco Granja é uma figura incontornável na animação portuguesa. O homem que nos trouxe a pluralidade desta arte, mostrando obras que iam desde o Canadá até à Checoslováquia, quando o Leste ainda estava fechado por uma cortina, mostra as suas referências e o seu passado neste entrevista. Uma vida rica que começou em 1925, cinquenta anos antes de surgir na RTP. [...] É verdade que a RTP apagou os seus programas do arquivo? Bom, isso é norma. Não se pode arquivar tudo. É uma norma apagar tanta coisa dos arquivos? Então e o espaço que ocupava? Oiça lá, e a despesa que é a manutenção do arquivo? Na minha opinião, défice por défice, pelo que menos que a RTP tenha parte do seu prejuízo por guardar e conservar o seu espólio, histórico. Bom, mas eles têm apontamentos de tudo, como têm de mim. Ainda guardam algumas imagens minhas. O que é que tinha em mente quando fazia os seus programas, quando seleccionava as animações? Isso era consoante o tema, e eu também convidava pessoas a participar, miúdos e graúdos. Mas tinha alguma mensagem que queria fazer passar? Sim, a mensagem da paz, por exemplo, da não-violência, da cultura. Havia uns do Leste que eram magníficos, e hoje ninguém os vê. Eu via, e lembro-me de ver alguns muito belos, mas alguns eram incompreensíveis… Eu às vezes também não entendia (risos). Mas eu não tinha o direito de não gostar. Houvesse alguém…Havia coisas complicadíssimas, é verdade. Por isso é que cheguei a ter dois programas semanais. Um mais para as crianças, digamos, e outro mais de pesquisa. A RTP sempre se comportou bem comigo. Deve ter havido uma grande diferença quando se passou do preto e branco para a cor. Mas olhe que os filmes a preto e branco também têm muita importância. Sim, só que com uma televisão a cores pode-se ver cinema, as pessoas reconhecem-no?», in Amor de Perdição

Abril 21, 2009

ἐφημέρου

Arquivado em: Bibliofilia, Livros — casoual @ 3:40 am

Bibliofilia ou Quem Tem Capa Sempre Escapa? – XV

JG Ballard, 2009

«The collision of sexuality and technology, the human struggle within a consumerist ­landscape…»

The Eye of Silence by Max Ernst

The Eye of Silence by Max Ernst

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Panter Books, 1968

Abril 13, 2009

«Peut-on moraliser le capitalisme?»

Arquivado em: Blogues, Livros, Polis — casoual @ 9:36 pm

«”C’est parce que le capitalisme n’a pas de morale que nous avons besoin d’en avoir une”, observe André Comte-Sponville. “Mais en France règne la confusion des genres et des intérêts”, lui répond Nicolas Tenzer. [...]» no Le Figarohipnotismo

Ainda que pela rama – e sem perceberem de todo a pergunta – sempre se discute algo por aquelas bandas.

Ou ainda estoutra: Dictionnaire posthume de La Finance

«Un dictionnaire n’est jamais terminé.
Les gros maux de la finance mondiale naissent, vivent et meurent comme tous les autres. L’actualité se charge de mettre des noms propres sur le devant de la scène et fait évoluer le vocabulaire. Les bonus d’hier son devenus les malus d’aujourd’hui et les parachutes dorés ne sont plus vraiment un moyen d’atterrir en douceur. Nous avons donc conçu ce blog de A à Z pour que vous puissiez y ajouter, en commentaire de chaque lettre, un mot nouveau, votre propre définition ou un fait d’actu qui a toute sa place dans notre dicodictionnaire-posthume-de-la-finance1

Abril 11, 2009

Empiricus Kapital

Arquivado em: Livros, Polis — casoual @ 5:56 pm

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Das Kapital: A Novel of Love and Money Markets
Por Viken Berberian

Imagem: Max Ernst, Europe after the rain

Abril 4, 2009

Psiu

Arquivado em: Jornais — casoual @ 2:42 pm

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Cartoon do António

Abril 1, 2009

Sorbonne

Arquivado em: Manifes — casoual @ 6:04 pm

Grève active à la Sorbonne

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Imagem: Journaux de tranchées en ligne

A Ciência Económica

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Jornais, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 5:29 pm

Março 27, 2009

ἐφημέρου

Arquivado em: Bibliofilia, Livros — casoual @ 9:41 pm

Bibliofilia ou Quem Tem Capa Sempre Escapa? – XIV

Contra a crise, Novas Oportunidades

Aviso: «Em caso de dúvida, abstém-te.» Zoroastres, A Electricidade, p. 7

«Arregace as mangas!», Consertar, reparar, restaurar, p. 7

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Março 26, 2009

London G20 Summit: Last chance before global geopolitical dislocation

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Jornais, Polis — casoual @ 7:22 am

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«[...] If this open letter helps you to feel that History will judge you according to the success or failure of this Summit, then it has been useful. According to LEAP/E2020, your citizens will not wait any longer than a year before they judge you. This time at least, you will not be able to say no one warned you!»

Franck Biancheri
Director de estudos do LEAP/E2020
Presidente do Newropean

Por um pouco de dignidade, senhores!

Arquivado em: Cinema, Música, Polis — casoual @ 5:44 am

VI

LE DOS AU MUR, Jean-Pierre Thorn
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ROBOTNICY 80, Andrzej Chodakowski
Andrzej Zajaczkowski

MAN OF IRON (Czlowiek z zelaza), de Andrej Wadja

et caetera et caetera

EPÍLOGO:

Por um pouco de dignidade, senhores!

Arquivado em: Cinema, Polis — casoual @ 4:54 am

V

Por um pouco de dignidade, senhores!

Arquivado em: Cinema, Polis — casoual @ 4:49 am

IV

Por um pouco de dignidade, senhores!

Arquivado em: Cinema, Polis — casoual @ 4:41 am

III

Por um pouco de dignidade, senhores!

Arquivado em: Cinema, Polis — casoual @ 4:31 am

II

Por um pouco de dignidade, senhores!

Arquivado em: Música, Polis — casoual @ 4:23 am

Abertura:

Março 24, 2009

Momentos Pathé – XVII

Arquivado em: Momentos Pathé — casoual @ 4:13 am

As pontes, (ainda) décima corrida

Puissance de la parole, um filme de Jean-Luc Godard:

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O Poder da Palavra, um filme de JS:

«É fantástico partilhar deste espírito fantástico. É uma alegria muito grande desfrutar uma vista fantástica que a ponte oferece.»

A Ponte da Europa, Encomiógrafos e outros Louvaminheiros

Arquivado em: Amanuenses, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 1:45 am

Primeiro, encomoroiçou. Houve louvaminhas aos encomendeiros:

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-  «[...] que agradeça [...] à sombra da torre da Universidade, [...] e ao lado da ponte que começou por ser chamada “Ponte Europa”, [...] a nossa dívida [...] agradecer também [...] agradecer igualmente [...] o SG do PS [...] Apraz-me registar [...]»

Estudava a ponte da Europa:

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- «[...] uma afirmação rotunda [...] não haja equívocos [...] primeiro traço [...] segundo traço [...] Não é necessário grande esforço [...]»

Ultrapassada a fase, ei-lo na definitiva; e enconchousou:

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«[...] Não basta [...] Importa [...] Compreende-se muito bem [...] europeus somos, e ademais disso, somos socialistas [...]»

concordo!  seja! sim! vá! amém. Bouas noutes!

Imagens: Caillebotte, Homem com cartola; estudo para a Ponte da Europa; ponte da Europa

Março 21, 2009

ἐφημέρου

Arquivado em: Bibliofilia — Tags:, — casoual @ 7:33 pm

Bibliofilia ou Quem Tem Capa Sempre Escapa? – XIII

Na Primavera

Já canta o cuco na mata;
A poupa que é oriunda
Das terras que Nilo inunda,
No lameiro os vermes cata.

No restolho pastam pombas
E levantam-se às bandadas.
Chocam as suas ninhadas
As perdizes pelas lombas.

Anda a abelha nas giestas,
Suga a roxa flor da urze.
Se a ventania não zurze
Os carvalhos das florestas.

Borboletas multicores
Formam brilhante coreia
Enquanto o melro flauteia
Requebros dos seus amores.

Sol ardente anima tudo,
A roseira desabrocha,
Veste o musgo a negra rocha
Com um manto de veludo.

Verde relva cobre a leiva
Pelas orlas dos caminhos,
Brota a fôlha nos azinhos
Animados pela seiva.

Rescende tudo alegria!
Este Sol minha alma aleita,
Como do lagarto que espreita
Nas fisgas da penedia.

Do Livro de Leitura para a 4ª e 5ª classes do Ensino Primário Geral, J. de Oliveira Silva, Inspector Primário, Porto, 1923

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«Para evitar as cópias de mau gosto, lembramos que os principais modelos não vão publicados nem serão expostos nas montras.» Catálogo da Loja das Malhas, 1962-63

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Arquivado em: Bibliofilia, Livros — Tags: — casoual @ 7:13 pm

Bibliofilia ou Quem Tem Capa Sempre Escapa? – XII
abc-dos-pequeninos
abc-dos-pequeninos-pp30-31
abc-dos-pequeninos-pp32-33

abc-dos-pequeninos-p-34

Com desenhos de Álvaro Duarte de Almeida
Publicação de Gomes & Rodrigues, Lisboa, s/d

Março 20, 2009

Autocídio

Arquivado em: Blogues — casoual @ 1:15 am

Em 1897, num livro publicado por Emile Durkheim, o sociólogo estabeleceu as bases pelas quais pode analisar-se o fenómeno: sendo, aparentemente, as suas razões de índole  íntima e psicológica, ele é explicado também por razões de natureza social. E estabeleceu quatro tipologias, a saber: o egoísta, o altruísta, o anómico e o fatalista.  gilbert-garcin

Ainda que, em certa medida, o objectivo do livro e a tese defendida pareçam paradoxais, pois se trata de uma decisão  solitária e individual, Durkheim demonstrou que a variação da taxa de suicídios podia ser explicada por mecanismos sociais. E os blogues e os bloguistas aí estão a corroborar a tese: por falta ou por excesso, uns «autocidam-se» por razões de regulação, outros por razões de integração, sociais. Mas aquilo que aprecio, sobretudo, são as notas deixadas como explicação para o facto, matéria, uma vez mais, para a sociologia, da literatura, evidentemente!

Março 19, 2009

UMA BIBLIOTECA É O SANATÓRIO DAS ALMAS – XIV (Rewinding)

Arquivado em: Biblioteca, Polis — casoual @ 9:00 pm

«Admitimos que a toda a passagem de um sistema para o sistema seguinte mais elevado, que a todo o progresso, portanto, para um estádio superior de organização, corresponde uma nova censura.» S. Freud, Introduction à la Psychanalyse, tradução de Carlos Sousa de Almeida

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I
«Processos e mecanismos censurantes
(…) Para o Estado Novo, era a palavra que era de facto perigosa; para o Estado democrático é o silêncio que é inquietante, perturbador
(…) Os processos censurantes dos regimes democráticos são muito mais variados e os seus recursos são praticamente ilimitados, graças à natureza abstracta dos seus mecanismos.
A escrita jornalística é um dos processos mais importantes da censurância, isto é, do mecanismo abstracto da censura. A sua forma estereotipada, feita de chavões prefabricados, de frases feitas, de minutas destinadas a servir os mais diversos usos, são alguns dos processos através dos quais se reproduzem os lugares comuns, a ideologia massificadora, a construção de uma leitura maioritária, de uma escrita conforme dos acontecimentos, da experiência, da história, proibindo que outras leituras e outras escritas, que outros possíveis se exprimam e se construam. (…) a censura não é hoje tanto a proibição de dizer o que não convém ao poder mas a obrigação de dizer e de fazer sem descanso, intermitentemente, o que é conforme ao senso comum, o que é banal e responde de perto às expectativas sociais. Ela está portanto intimamente ligada ao mito da objectividade jornalística, desta escrita sem sujeito, ponto cego de todas as subjectivações e conformidades. É de facto objectivo hoje tudo o que cola o mais estreitamente possível às expectativas indiscutíveis das maiorias, tudo o que as conforta nas suas crenças ingénuas.»
in Figuras das Máquinas Censurantes Modernas, Adriano Duarte Rodrigues, Revista de Comunicação e Linguagens, 1, Março, 1985

Vem isto a propósito de um maravilhoso baile que aqui vai sobre preservativos, papas e igrejas: Valupi vs Ana Pires (à chuva de aerólitos, pancadas duras, sangrentas e gritantes da segunda, responde a extraordinária máquina engenhosa e prudente do primeiro com um teorema: deus é infinitamente pequeno, uma verdade que é hoje sobejamente conhecida).

Imagem: Robert Smithson, A Heap of Language

Propaganda

Arquivado em: Uncategorized — casoual @ 8:39 pm

COIMBRA_INDUSTRIAL, dia 21 – 21 horas
A CASA DA ESQUINA
Rua Aires de Campos nº 6 Coimbra

(não sei se servem bolinhos se presunto, mas pelos papéis volantes, vulgo reclames, deve valer a pena, tanto mais que o serviço vai das caves ao rés-do-chão e chega ao sótão!)

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Março 16, 2009

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Arquivado em: Bibliofilia, Livros — Tags: — casoual @ 2:41 am

Bibliofilia ou Quem Tem Capa Sempre Escapa? – XI

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[Capa cartonada sem quaisquer indicações (primeira página cortada no canto superior direito para impossibilitar identificação)]

Março 14, 2009

ἐφημέρου

Arquivado em: Bibliofilia — Tags: — casoual @ 7:04 am

Bibliofilia ou Quem Tem Capa Sempre Escapa? – X

O objectivo é divulgar materiais de biblioteca e arquivos pessoais. Dada a dimensão e qualidade de alguns desses materiais, nem sempre será possível reproduzi-los aqui, mas o meu objectivo, a prazo, é tornar disponível a todos este acervo.

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Nºs anteriores: I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX

Março 13, 2009

Pitoresco! Amor! Ciúme! Emoção!

O team português da blogaria portuguesa (assim considerada) faz-me rir. Passa-se uma semana e espreita-se. Que se vê? O mesmo que na semana anterior. Uma folia, uma pândega, uma reinação. Percebe-se que não comem, coitados, andam tísicos, trabalham os latões dos blogues em permanência. O espanto moral desarma mais que qualquer cansaço físico. Gosto muito das suas mascarilhas, mas o fedor cadavérico há-de estar em franca decomposição. Já o cartaz do filme dizia: «[...] mil e um problemas para nós graves e que merecem meditação.» O Vergílio Ferreira, em 1971, dizia sobre os cem anos da obra: «[...] todo um capítulo haveria a escrever sobre o caso [...]»

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Março 10, 2009

Leituras / Livros

Arquivado em: Livros — casoual @ 5:26 am

1 Dia:00

Pão Mist Trigcen 100 (4 unidades) – 0,68 cêntimos

Leite Meio Gordo Pingo Doce – 0,54 cêntimos

Ovos CL.L.P.D. (6) –  0,69 cêntimos

Porco Bifanas /Assar – 0,67 cêntimos

Queijo F Açores 1/4 PD C – 2,24 cêntimos

Óleo Fula 1 L – 1,39 cêntimos

Azeite Gourmet 0,75 L – 1,99 cêntimos

Cenouras (1 Kg) – 0,80 cêntimos

Batatas (3,5 Kg) – 4,00 cêntimos

Março 7, 2009

Cristo e os Apóstolos

Arquivado em: Polis — casoual @ 7:06 am

O Dicionário Moderno Abreviado de Ciências Políticas precisa de actualização.

Aceitam-se colaboradores,

nomeadamente para os verbetes Cordeiro Pascal e  Apóstolos.

O Cristo da Política Portuguesa

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Março 2, 2009

Eat shit! Billions of flies can’t be wrong!

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Manifes, Momentos Pathé — casoual @ 6:04 am

Fevereiro 27, 2009

A propósito de redes sociais &%=#»?! (depois vou-me de novo para o vazio do silêncio)

Arquivado em: Blogues, Jornais, Ler Outros — casoual @ 5:23 am

Fevereiro 26, 2009

«A estupidez é a euforia do lugar», Barthes  dixit

Arquivado em: Manifes, Momentos Pathé, Polis — casoual @ 2:55 am

«Le roi est environné de gens qui ne pensent qu’à divertir le roi, et l’empêcher de penser à lui. Car il est malheureux, tout roi qu’il est, s’il y pense.», Pascal, Pensées

quadrado-negro-malevitch-1915

Primeiro, chegou Malevitch com o seu Quadrado Negro, em 1913, feito para a cenografia de  Победа над Cолнцем.

Nascia assim para a história a primeira ópera futurista: A Vitória Sobre o Sol, de  Mikhail Matyushin.

pobedanassolntsem

Depois, veio A Internacional:

e por fim, desceu de uma nuvem, lá das serranias, Pinto de Sousa, que será de novo aclamado em delírio com a sua moção «A Força da Mudança»: «Toda a minha horta é vossa. / Não pra me serdes piedosa, / porque, quanto mais graciosa, / sois crueza. / Cortai tudo, é permitido, / senhora, se sois servida. / Seja a horta destruída, / pois seu dono é destruído [...].

Colhei, rosa, dessas rosas!»

Fevereiro 25, 2009

«Deite-se à finança, que tem bossa»

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Livros, Manifes, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 4:46 pm

«Eu não sou muito difícil em admitir prodígios quando não sei explicar os fenómenos por outro modo.»

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E aqui está o precioso trabalho que eu agora perdi!
Isto não pode ser! Uns poucos de pinheiros raros e enfezados através dos quais se estão quase vendo as vinhas e olivedos circunstantes!… É o desapontamento mais chapado e solene quenunca tive na minha vida — uma verdadeira logração em boa e antiga frase portuguesa.
E contudo aqui é que devia ser, aqui é que é, geográfica e topograficamente falando, o bem conhecido e confrontado sítio do pinhal da Azambuja…

Passaria por aqui algum Orfeu que, pelos mágicos poderes da sua lira, levasse atrás de si as árvores deste antigo e clássico Ménalo dos salteadores lusitanos?
Eu não sou muito difícil em admitir prodígios quando não sei explicar os fenómenos por outro modo. O pinhal da Azambuja mudou-se. Qual, de entre tantos Orfeus que a gente por aí vê e ouve, foi o que obrou a maravilha, isso é mais difícil de dizer. Eles são tantos, tocam e cantam todos tão bem! Quem sabe? Juntar-se-iam, fariam uma companhia por acções, e negociariam um empréstimo harmónico com que facilmente se obraria então o milagre. É como hoje se faz tudo; é como se passou o tesouro para o banco, o banco para as companhias de confiança… porque senão faria o mesmo com o pinhal da Azambuja?
Mas aonde está ele então? faz favor de me dizer…
Sim, senhor, digo: está consolidado. E se não sabe o que isto quer dizer, leia os orçamentos, veja a lista dos tributos, passe pelos olhos os votos de confiança; e se, depois disto, não souber aonde e como se consolidou o pinhal da Azambuja, abandone a geografia que visivelmente não é a sua especialidade, e deite-se à finança, que tem bossa; — fazemo-lo eleger aí por Arcozelo ou pela cidade eterna — é o mesmo — , vai para a comissão da fazenda — depois lord do tesouro, ministro: é escala, não ofendia nem a rabugenta constituição de 38, quanto mais a carta … … … … … … … … … …… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …… … … … … … … … … … … … … …… …

Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra

Imagem: José de Sousa Moura Girão, A galinha e os pintos

«As entranhas românticas do Minho» ou «As analogias entre Braga e Paris»

Arquivado em: Ad-mirare, Livros, Manifes, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 7:20 am

«Aí vê V. Ex. a a razão dos «estrépitos» explicada na Guia. Pareciam outra coisa pior.»

perspectiva

«Mas o que D. António da Costa não teve tempo de ver e apalpar foi o miolo, a medula, as entranhas românticas do Minho; quero dizer – os costumes, o viver que por aqui palpita no povoa­do destes arvoredos onde assobia o melro e a filomela trila.

Ah! meu amigo! Romances, tecidos de casos cândidos e inocentes, apenas os fazem por aqui os pássaros em Abril quando urdem e afofam os seus ninhos. O restante dos animais não ovíparos vista-mos V. Ex. a no Catarro ou no estabelecimento da famosa senhora Cecília Fernandes, da Travessa de Santa Justa, que eu lhos farei representar ao vivo no próprio coração do Minho – entre Fafião e S. João do Calendário – as cenas contemporâneas da fina Baixa e piores.
A peste, que infeccionou os costumes destas aldeias, não sei decidir se veio das cidades para aqui, se foi daqui para lá. Sá de Mi­randa considerou isto tudo estragado quando viu

correr pardaus
Por Cabeceiras de Basto.

Imagine V. Ex. a o que terá feito o esmeril do progresso a descodear e a brunir este gentio há três séculos! Não faz ideia, meu amigo! Até a fotografia, abarracada nas cabeças dos conce­lhos, tem feito colaborar o sol e o cloreto de prata na relaxação dos costumes. Os «conversados» permutam retratos, e beijam-se reciprocamente em papel-cartão, aguçando o instinto da natureza bruta. Verdade é que os pastores minhotos, há trezentos anos, já traziam ao pescoço os retratos das pastoras pintados em madeira [...]»

Nos hotéis de Braga, finalmente, dão-se as mãos o espavento das modernas indústrias, as refinações da decoração, a obra-prima de marcenaria e vidraria, – um luxo levantino, como em recâma­ras de Nababos – e sobretudo a higiene expansiva de saúde a dar cambalhotas na brancura virginal dos lençóis; e à mistura com tu­do isto ressalta não sei quê de arqueológico naqueles quartos! A gente, quando vai deitar-se, imagina que naquela mesma cama dormiu na noite passada S. Pedro de Rates ou Gonçalo Mendes da Maia.

Por fora das estalagens ainda há proeminentíssimas feições de Paris em Braga. O Jardim , por exemplo. V. Ex. a já esteve no jardim? Impressionaram-no com certeza uns rumores, «ora sufocados, ora estrepitosos» que ali se escutam nos domingos de tarde? Também a mim. Não pôde soletrar em sons articulados aquele confuso borborinho? Nem eu. Quem explica o fenómeno, trivial nos Champs-Elysées e no parc de Monceau , é o já citado sr. Vaz de Freitas na sua Guia do viajante em Braga, por seis vin­téns, pág. 41. A coisa é isto: O chilrear das crianças, o devanear das poetisas, o quei­xume sonolento dos poetas, a conversação pesada e metálica dos proprietários, todos estes murmúrios vagos ou alegres, sufocados ou estrepitosos (hic) infundem uma vida nova e excepcional ao passeio, que o tornam atraente ou deleitoso. Théophile Gautier, o Benvenuto Cellini da prosa francesa, não rendilharia com tão subtis filigranas de frase a explicação dos ruídos babilónicos do Luxemburg . Donde se colhe que Braga tem poetisas que exibem delirantemente os seus devaneios no jardim, ao mesmo tempo que os poetas se queixam sonolentos. Paris, tal qual. Note V. Ex. a o contraste no sexo destas pessoas que bebem na Castália: elas devaneiam , apostrofando a gritos o arrebol da tarde e a brisa que cicia e se perfuma nas cilindras; eles, cabeceando marasmados pelo ópio do narguilé , queixam-se sonolentos, porque não os deixam dormir as poetisas. São homens gastos, estafados, roués. Saíram do café Faria intoxicados do absinto de Espronceda, de Nerval, de Larra e de Musset. Entraram no jardim com o cérebro anestesiado, querem dormir; e elas, à imitação do femeaço da Trácia, projectam escalavrar aqueles Orfeus dormi­nhocos, Márcias que elas, filhas de Apolo, querem esfolar. Segun­da Paris.

Aí vê V. Ex. a a razão dos «estrépitos» explicada na Guia. Pareciam outra coisa pior.

Eu, afora isto, conheço outras analogias entre Braga e Paris, que estudei, sem subsídio – entendamo-nos. Há três meses senti-me ali adoecer da nevropatia, que é moléstia endémica dos gran­des centros de população, onde os deleites requintam, e o fluido nervoso se desperdiça – o que sucede em Londres, em Braga, em New-York, em Paris, quando a gente desconhece as leis da rela­tividade dos prazeres, como diz o professor escocês Bain. Confiando nos anti-histéricos, fui comprar à botica do sr. Pipa, na rua do Souto, um frasco de cápsulas de éter-sulfúrico, e preparava-me para pagá-las com 300 rs. (um fr e 50 cênt.) – preço corrente no Porto – quando o praticante da farmácia me mandou entender o preço da droga com mais cinco tostões, e mostrou-me que o sinal aritmético de um franco estava emendado em dois. Ainda assim, observei-lhe que dois francos cambiados em moeda portuguesa eram quatrocentos réis. O interlocutor refutou triunfantemente a minha objecção, alegando que em Braga dois francos eram oito tostões.

Esta fisionomia da botica bracarense [...]» Camilo Castelo Branco, Novelas do Minho, «O Comendador»

Fevereiro 21, 2009

«Masquerade»

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Livros — casoual @ 7:02 am

james-ensor-hop-frogs-revenge
«On some grand state occasion – I forgot what – the king determined to have a masquerade, and whenever a masquerade or any thing of that kind, occurred at our court, then the talents, both of Hop-Frog and Trippetta were sure to be called into play. Hop-Frog, in especial, was so inventive in the way of getting up pageants, suggesting novel characters, and arranging costumes, for masked balls, that nothing could be done, it seems, without his assistance.»
Hop-Frog
by Edgar Allan Poe

Imagem: James Ensor, Hop Frog’s revenge

Fevereiro 20, 2009

«Carnevale»

Arquivado em: Blogues, Ler Outros, Manifes — casoual @ 4:24 am

gente-policia-de-costumes

P.S., a 23/02/09: Não sei se esta postura [portaria] municipal existiu ou não. Que importa! Outrossim, gostei de ver as reacções, mormente aqui e aqui, e os comentários. Que mais me proponho? A leitura de 2 textos e de duas posições. Eça de Queirós e Alfred Döblin. Para reflectir. Hão-de servir para mais alguma coisa os blogues, chiça!ffellini5 Pronto, depois podemos todos ir brincar ao Carnaval. Ou não. Ninguém leva a mal.

1 – Eça de Queirós: «No folhetim do Diário Popular de 24 de Junho lêem-se notáveis considerações de ordem moral. São em verso. O poeta dirige-se, na sua declamação solitária, a uma mulher.

Numa prosa anterior (prelúdio) escreve que a missão da arte é ensinar a amar (!) — e que na arte não entra realidade, justiça ou moral pública porque (acrescenta) a arte nada tem com os direitos civis. Colocado assim à larga, na anarquia da voluptuosidade e do lirismo, aí está o que o poeta expõe e ensina num jornal popular, com uma tiragem de 20.000 exemplares, que anda por cima das mesas e nos cestos de costura!

Começa por dizer:

— Que é bom amar no campo, à tarde e a sós!

Depois continua:

— Que prefere o campo, porque nas salas do mundo não lhe é dado beijar a mão dela às largas! Que o campo é livre e as sombras dão refúgio!…

Por fim acrescenta:

— Que queria que os raios cintilantes os cingissem a ele só com ela, erguidos em êxtase, longe de quanto é vil…

(Quanto é vil, na gíria da poesia lírica, é o mundo real, a família, o trabalho, as ocupações domésticas, etc.).

Dispensamo-nos de citar mais estrofes lascivas.

Aquelas bastam para legitimar as seguintes observações:

Nenhum jornal publicaria semelhantes teorias em prosa;

Nenhum homem que as escrevesse ousaria lê-las a sua filha, sem gaguejar, e sem comer palavras;

Nenhuma senhora que por acaso as tivesse lido ousaria citá-las.

Como se consente então a sua publicação em verso? A higiene não é só a regularização salutar das condições da vida física; nela devem também entrar os factos da moralidade. Se é proibido que um monturo imundo ou um cão morto corrompam o ar respirável das ruas — porque há-de ser permitido que um poeta, com as suas endechas podres, perturbe o pudor e a tranquilidade virgem?

Há uma postura da Câmara que impõe uma multa a quem pronuncia palavras desonestas: porque não há-de ser igualmente proibido publicar ideias desonestas?

Um ébrio, um pobre homem a quem se não deu educação, a quem se não pode dar leitura, a quem quase se não dá trabalho, diz uma praga numa rua, ouvida apenas de três ou quatro pessoas, e vai para a cadeia ou paga uma multa de 3$000 réis. Um poeta lírico, esclarecido, aprovado nos seus exames, empregado nas secretarias, publica num jornal de cinquenta mil leitores em letra impressa, permanente e indelével, uma série de desonestidades, e é apreciado, cumprimentado no Martinho, indigitado para uma candidatura!

Pedimos pois:

Ou que seja permitido livremente dizer na rua e no jornal pragas e desonestidades;

Ou que a multa da Câmara Municipal seja aplicada a todos — e que tanto o ébrio que não sabe o que diz à esquina de uma rua, como o poeta lírico que escreve, com reflexão e rascunho duma semana, ao canto dum jornal, paguem os 3$000 réis à Câmara, um pela sua praga, outro pela sua endecha.»

2 – Alfred Döblin: «A opinião de algumas pessoas nos nossos dias é do seguinte teor: a ideologia na obra de arte é inatacável; no momento em que esteja absolutamente fora de dúvida que a obra de agitação é uma obra de arte, não há o direito de a proibir seja de que modo for. Pois a arte é intocável, a arte é sagrada. / Eu não sou dessa opinião. Na luta política em que também se usam imagens e textos, é sem dúvida uma esperteza, uma sabidice, e muito oportuno convencer o adversário de que essas imagens e esses textos são obras de arte, dando-lhe xeque-mate com a afirmação, vagamente presente desde os tempos escolares na sua pobre cabeça, de que a arte é sagrada e de que o sagrado não se pode naturalmente castigar. A arte, porém, não é sagrada, e é lícito proibir obras de arte. É uma ofensa à arte dizer deste modo que ela é sagrada, e tornar inoperantes as obras de arte, afirmando que o estado não lhes pode fazer nada. / O artista é uma pessoa viva, membro de um estado, de um povo, de uma classe, e tem o direito de exigir que as suas opiniões – moldadas em obras de arte e dotadas da especial força de propagação da arte – sejam tão tomadas a sério como as das outras pessoas. ‘A arte é sagrada’ praticamente não significa outra coisa do que: o artista é um idiota, deixem-no falar à vontade. Querem-nos conceder liberdade de produção, mas a liberdade que têm em vista é a do parágrafo 51. Só nos modernos estados liberais, entregues de alma e coração ao comércio, à banca e à indústira, ao capital e ao exército, podia surgir uma ironia destas: ‘A arte é livre’, quer dizer, é totalmente inofensiva, os senhores e as senhoras artistas podem escrever e pintar o que lhes apetecer…» in Kunst ist nicht frei, sondern wirksam: ars militans, trad. de Alberto Pimenta.

E se tiverem ainda muito interesse, todo o artigo de Alberto Pimenta, na Colóquio Letras, n.º 32 (Jul. 1976), «Liberdade e aceitabilidade da obra de arte literária».

A imagem, é claro, só podia ser de Federico Fellini.

«Dominica ad carne levandas»

Arquivado em: Manifes — casoual @ 4:15 am

Fair is foul, and foul is fair.
Hover through the fog and the filthy air!

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Fevereiro 12, 2009

The chicken, the eggs and the love

Arquivado em: Bloco de Notas, Blogues — casoual @ 5:02 pm

Têm sido uns serões encantadores. Consta algures dos registos internáuticos e/ou blogosféricos que fez – um dia destes – quatro anos que, sob o domínio do impossível, visto que alguns “cientistas blógueres” não admitiam os benefícios deste alcoolismo, embora, actualmente, Hércules só existam eles próprios, estremecendo com uma veemência que a originalidade das suas posições e opiniões afinal, de todo, não justifica, dizia eu, pois, fez quatro anos que o projecto se iniciou e estendeu por outros bares, alguns deles assinalados ali na coluna da direita. Acontece, porém, que estou sempre em contra-corrente, e sinto, por ora, que este líquido virtual anda um pouco infectado de CORTESÃOS E CORTESÃS. Para todos estes, referenciais uns, pseudomarginais outros, um grandessíssimo BADAMERDA. Não a deixeis murchar, cultivai-a e atentai nas suas reminiscências. Cortá-la-eis, por certo, com muito lucro.
muppetshow1
Para os outros, um ABRAÇO. E isto já é tudo. Continuaremos, não duvido, aqui ou noutros ministérios, procurando com o Woody, um pouco espavoridos mas encantados por jardinar os élitros da beleza das pequenas coisas:

«[...]
ALVY
And-and uh, there’s gonna be all that tension. You know, we never kissed before and I’ll never know when to make the right move or anything. So we’ll kiss now we’ll get it over with and then we’ll go eat. Okay?

ANNIE
Oh, all right.

ALVY
And we’ll digest our food better.

ANNIE
Okay.

ALVY
Okay?

ANNIE
Yeah.

They kiss.

ALVY
So now we can digest our food.

[...]

I realized what a terrific person she was and-and how much fun it was just knowing her and I-I thought of that old joke, you know, this-this-this guy goes to a psychiatrist and says, “Doc, uh, my brother’s crazy. He thinks he’s a chicken.” And, uh, the doctor says, “Well, why don’t you turn him in?” And the guy says, “I would, but I need the eggs.” Well, I guess that’s pretty much how how I feel about relationships. You know, they’re totally irrational and crazy and absurd and … but, uh, I guess we keep goin’ through it because, uh, most of us need the eggs

Annie Hall, Woody Allen

Janeiro 28, 2009

Nojo…

… constrói-se com as preposições de e por.

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o-antonio-maria

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Arquivado em: Uncategorized — casoual @ 3:15 pm

As Outras Índias

Curso de introdução à cultura e sociedade da Índia contemporânea

Coordenação: Constantino H. Xavier

Museu do Oriente

Com quase um sexto da população mundial, berço das grandes religiões asiáticas, e uma diversidade cultural ímpar, a Índia sempre suscitou uma imensa curiosidade no Ocidente. Mas em contraste a esta imensa, exótica e histórica Índia espiritual assiste-se agora à emergência paralela de uma nova Índia – moderna, materialista, confiante e competitiva. Este curso introduz os participantes não só a estas duas, mas também, a várias outras Índias contemporâneas que só raramente são abordadas de forma aprofundada em Portugal. Com recurso a uma selecção de leituras e à projecção de materiais audiovisuais, bem como à experiência pessoal de oradores convidados, as seis sessões mensais abordam doze dimensões (duas por sessão) essenciais para compreender as novas tendências sociais, culturais, económicas e políticas que movimentam a Índia de hoje em direcção ao futuro.

Coordenador: Constantino H. Xavier é docente no Departamento de Estudos Políticos da Universidade Nova de Lisboa e investigador do Instituto Português de Relações Internacionais – IPRI-UNL

http://www.museudooriente.pt/535/as-outras-indias-.htm

Janeiro 15, 2009

Nas malhas dos textos – VII

Arquivado em: Bloco de Notas, Livros — casoual @ 1:38 am

«Que je hais la grandeur dont l’éclat m’environne! …», Libretto de «Mario-aria», Robert le Diable, Meyerbeer, cena 2, Isabelle, recitativo

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A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, «ilustrada com cêrca de 15.000 gravuras e 400 estampas a côres», publicada entre 1936 e 1960, não é nenhuma zarzuela com os seus opérculos vermelhos, a sua aristocrática ontogonia, a sua majestática opianina, a sua fortaleza em 40 volumes. Tem tudo de boníssimo, como as grandes óperas. Inclusive nomes soantes, como estrelas no firmamento intelectivo. No entanto, também a ela lhe faltou, entre muitas coisas, uma entrada cabal para o verbete fantástico: «S. m. Aquilo que só existe na imaginação, na fantasia: gosta do fantástico.» Diríamos, pois, que é uma fantastiquice: jactância, cada um toma a que quer.

E foi preciso esperar pela década de 80 do século passado para uma actualização muito fotogénica, com ajudantes de outro lustre, para que a bizarrice passasse a outro nível: e nela, a entrada, ingressamos primeiro no cinema – fantástico – com cerca de quatro páginas e meia, para a final sermos despachados com aproximadamente meia página de uma aflita – ou será aflitiva! – descrição de um «género literário-artístico fundamentalmente narrativo», etc., etc., incongruente, cheio de lugares-comuns e de tautologias, que me fez lembrar algo que me disseram certa vez a propósito de trabalhos destes: «Esses!? São uns copiões!»

Enfim, nada que qualquer leitor mediano não pudesse ter feito. Bastaria ter lido a Introdução à Antologia do Conto Fantástico Português, de Melo e Castro, de 1974.

Janeiro 14, 2009

Subsídios para a sinédoque israelo-palestina *

Arquivado em: Bloco de Notas, Cinema, Livros — casoual @ 3:10 am

* Na morte de Claude Berri, “Jean de Florette I” e “II”; o anexim, “Manon des Sources“, II, e o grande Marcel Pagnol, o escote da auga, os viris, e vero, mas a masgar, outrossim, aquela linfa a pedir ósculo

e a pôr mau-olhado, a tresvanar hostilidades e o deus marte. Pobres dos Ugolins!

Janeiro 8, 2009

Have a Happy New Year…!

Arquivado em: Manifes — casoual @ 7:33 am

De nuce fit corylus, de glande fit ardua quercus, e parvo puero saepe peritus homo.

… with Larry Flynt


simona-levi-femina-ex-machina

Dezembro 30, 2008

Nas malhas dos textos – VI

Arquivado em: Bloco de Notas, Livros — casoual @ 2:31 am

A fechar o ano, o último intermezzo musical Fantástico de 2008, um momento Pop and a shake hands para todos:

«Porque devíamos saber, pelo contrário, que 103 ou 104 graus Fahrenheit podem ser uma temperatura muito mais favorável à germinação e desenvolvimento da verdade do que os mais vulgares 97 ou 98 graus de temperatura do sangue.» William James, Varieties of Religious Experience, «Lecture I, Religion and Neurology»

dadd_richard_the_fairy_feller-s_master_stroke

The Queen , Ogre Battle; The Fairy Fellers Master Stroke

Tradução de Carlos Sousa de Almeida

Imagem: Richard Dadd, The Fairy Feller’s Master-Stroke (1855-64)

Dezembro 24, 2008

Nas malhas dos textos – V

Arquivado em: Bloco de Notas, Música — casoual @ 1:57 pm

Um intermezzo musical de Fantasia e Mistério, um especial fim de ano com monstros, magia, batalhas, calafrios: o bem e o mal, a luz e as trevas.

«Também queres lutar pelo amor da sabedoria?
«Isso de lutar não é cá comigo. No fundo, também não exijo sabedoria nenhuma. Eu sou um homem da natureza. Que se satisfaz com dormir, comer e beber. E se pudesse, gostaria de apanhar uma mulher pequenina e bonita.»
flauta-magica
«Socorro! Estou perdido! A serpente astuta escolheu-me como vítima. Deuses misericordiosos, ela aproxima-se! Salvai-me! Protegei-me!
«Morre, monstro, pelo nosso poder! Triunfo! O feito heróico foi consumado. Ele foi liberto graças ao valor do nosso braço. Um jovem gracioso e belo! Tão belo como nunca vi!
«Sim, belo como uma pintura. Se consagrasse o meu coração ao amor, seria por este jovem. Corramos para junto da nossa rainha a comunicar-lhe a notícia. Talvez este jovem belo possa devolver-lhe a paz perdida.
«Ide e dizei-lho. Eu ficarei aqui.
«Não, ide vós. Eu guardá-lo-ei aqui.
«Não! Eu guardo-o sozinha! [...]»


«Onde estou eu? Será um sonho viver ainda? Ou ter-me-á salvo um poder supremo? Como? A serpente está morta? Que ouço? Onde estou? Que lugar estranho é este?
«Eu sou o passarinheiro, sempre alegre. Sou conhecido como passarinheiro por velhos e jovens em todo o país. Sei como atrair os pássaros e sei tocar bem flauta. Por isso, posso estar alegre e contente, pois todas as aves são minhas. [...] Queria ter uma rede para raparigas. Caçava-as às dúzias para mim. Fechava-as a todas em minha casa e todas seriam minhas. Se todas as raparigas fossem minhas, trocá-las-ia por açúcar. Àquela de que gostasse mais, dar-lhe-ia todo o açúcar. Ela beijar-me-ia com toda a ternura, seria a minha mulher e eu o marido dela. Dormiria a meu lado, embalá-la-ia como a uma criança.


«Tu aí!
«Que é?
«Diz-me, jovial amigo, quem és tu?
«Quem sou? Pergunta estúpida. Sou um homem como tu. E se agora te perguntasse eu: quem és tu?
«O meu pai reina sobre muitos países e povos [...]»

Die Zauberflote (A Flauta Mágica), Mozart, ópera em dois actos, Orquestra Filarmónica de Berlim, dirigida por Karl Böhm, tradução do libretto de Emanuel Schikaneder de Carlos Sousa de Almeida

Imagem

Dezembro 17, 2008

Nas malhas dos textos – IV

Arquivado em: Bloco de Notas, Livros — casoual @ 3:06 am

«Já não sabia se estava com mulheres ou com pérfidos súcubos.» Jan Potocki, Manuscrite trouvé à Saragosse

ilusao-optica

Prosseguindo na senda das definições do fantástico, passámos em revista vários dicionários e enciclopédias. É evidente que a definição de Todorov não é uma definição da palavra «fantástico», pois este opera por classificação, por distinção de espécies no interior do género; mas a isso voltaremos mais tarde.

O que achamos deveras «fantástico» é a inexistência da sua descrição em português até muito recentemente. Já anteriormente dera conta disso ao referir o Vocabulário Portuguez & Latino, de Raphael Bluteau, mas examinando o Novo Diccionário da Língua Portuguesa, de António Cândido Figueiredo, obra de 1899, e aqui consultável em linha na edição de 1913, temos:

«fantástico
adj.
Que só existe na fantasia.
Imaginário.
Caprichoso.
Extraordinário.
Incrível.
M.
Aquillo que só existe na imaginação.
(Lat. fantasticus

por contraste, por exemplo, com o dictionnaire de la langue française d’Émile Littré, publicado em 1863, e com uma segunda edição em 1872-77, o qual, além de descrever empregos admitidos desde há muito, tem também em conta a sua aplicação e emprego no objecto literário, apontando a tendência da passagem do adjectivo a substantivo na terceira subdivisão:

«Contes fantastiques, se dit en général des contes de fées, des contes de revenants, et, en particulier, d’un genre de contes mis en vogue par l’allemand Hoffmann, où le surnaturel joue un grand rôle.»

acrescentando, ainda, na quarta subdivisão:

«Le fantastique, le genre des contes fantastiques.»

E com a maioria dos escritores portugueses , sobretudo desde a segunda metade do séc. XIX, a escreverem um ou mais contos fantásticos, não será isto fantástico? Talvez sim e talvez não, conhecendo-se a maneira de obrar de muitos filólogos e lexicólogos portugueses.

Dezembro 10, 2008

Nas malhas dos textos – III

Arquivado em: Bloco de Notas, Livros — casoual @ 2:10 am

Vocabulário Portuguez & Latino, de Raphael Bluteau, 1712-28, verbete Fantástico: «Cousa, que não tem realidade, e consiste só na imaginação…»; verbete Fantasma: «… é representação de alguma figura, que aparece por arte mágica, ou em sonho, ou por fraqueza da imaginação. [...] Fantasma, ou Fantasia. A imagem do objecto, que impresso nos nossos sentidos, por meio de fantasia se comunica à alma.»
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Muitas têm sido as definições apresentadas do Fantástico e muitas também as desmontagens das teorias expostas. A mais conhecida é a de Tzvetan Todorov¹. Abreviando, o género fantástico encontra-se entre o insólito e o maravilhoso, e apenas se mantém o efeito fantástico enquanto o leitor duvidar entre uma explicação racional e outra irracional. Segundo Todorov, o fantástico dura apenas «o tempo da incerteza», até que o leitor opte por uma solução ou outra. No entanto, não pode afirmar-se que a definição seja completamente original, pois já Guy de Maupassant, um dos teóricos do género, o percebera, de algum modo, na sua crónica O Fantástico²: «Só se tem medo daquilo que não se compreende.» E, como outras, haverá exemplos que confirmam a tese – cf. La Venus de Ille, de Prosper Mérimée, 1837, em que uma estátua parece ganhar vida e matar um recém-casado, embora não tenhamos a certeza disso -, e exemplos que a infirmam – os contos e as novelas de Kafka. Embora, felizmente, seja difícil, quiçá impossível, caracterizá-lo, o que prova a sua riqueza e vitalidade, há, contudo, nas várias teses que li, elementos que ressaltam e lhe conferem alguma unidade: o contraste com o real e o quotidiano, o conhecido, apoiando-se o relato num ponto de referência familiar ao leitor, por um lado; e por outro, o estranho, o impreciso e o perturbador que se introduzem na vida normal das personagens, submergindo os dois, personagem e leitor, numa experiência intrigante e fora do comum.

¹ Introdução à Literatura Fantástica, Moraes Ed., 1977, Lx, trad. Maria Ondina Braga
² «Le fantastique» (Le Gaulois, 7 de Outubro de 1883) in Delaisement, G., Maupassant journaliste et chroniqueur, Paris, Albin Michel, 1956

Dezembro 5, 2008

Nas malhas dos textos – II

Arquivado em: Bloco de Notas, Livros — casoual @ 11:52 pm

«De preferir às coisas possíveis mas incríveis, são as impossíveis mas críveis.» Aristóteles, Poética

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Não que me sinta transfigurado, propriamente, mas que me encontro num difícil equilíbrio, com certeza que sim. Um equilíbrio entre dois mundos, na corda da ambiguidade e da incerteza entre o real e o imaginário. Falo do Fantástico como género (Todorov), se é que ele existe e continua a ser relevante. Primeiro descobre-se que é um grande saco onde cabe tudo – o gótico (romance negro), o horror, o maravilhoso, o estranho, a ficção científica, enfim, tudo aquilo que fascina o(s) leitor(es), ao ponto de se terem constituído em verdadeiros mitos modernos.

A propósito de fascínio, comecemos, quiçá, por aqui, pela etimologia, do lat., fascinu-, encanto, malefício, a quem foi lançada uma sorte; Brás de Abreu, no seu Portugal Médico¹, p. 626, averbava:
«… porque com a sua virtude poderão destruir o contágio de fascinação».

Está o meu leitor hesitante? Também eu. Parece ser essa a primeira condição da literatura fantástica. A hesitação e a incerteza encenadas e ecoadas nos seus textos.

¹ Portugal medico ou monarchia medico-lusitana, Brás de Abreu, 1726

Imagem: Theodore Von Holst, Bertalda assustada com as aparições

Dezembro 3, 2008

Nas malhas dos textos – I

Arquivado em: Bloco de Notas, Livros — casoual @ 12:04 am

«Toda a história a dois é uma história a três.» Roberto Calasso, Le Nozze di Cadmo e Armonia

carlos-schwabe-la-destruction

Iniciarei em breve um novo projecto. Um Projecto de Edição que venho trabalhando e amadurecendo há já algum tempo. As reflexões que irei, por enquanto, publicando aqui, resultaram do acto de leitura, indagação, tradução e produção de alguns textos. A work in progress. Aquilo que se me foi insinuando nas malhas dos textos. A partir deles. Sujeito à sua ditadura. Mas dizendo daquilo que em mim ressoaram.
Começaremos pela Arte e a Literatura do Fantástico.

Imagem: Carlos Schwabe, ilustração para Les Fleurs du mal, de Charles Baudelaire

Novembro 24, 2008

«Poli»-artistas…

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 4:17 pm

…redefinindo o seu papel no mundo e fazendo propostas para o presente – and by implication – para o futuro.
politicos-redefinindo-o-seu-lugar-no-mundo

Novembro 19, 2008

Tanga(s) e «Short-sellers»

Arquivado em: Bloco de Notas, Polis — casoual @ 4:47 pm

O «país» ainda «está de tanga?» Pois que «viva a crise»: o Stockmarket está de regresso.

E siga a banda. Os pobrezinhos adoram bandas.

stockmarket

NB: Não, esta senhora não é MFL.

Novembro 15, 2008

América – II

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Música, Polis — casoual @ 4:54 pm

Welcome

Novembro 12, 2008

Par manière d’acquit

Arquivado em: Ler Outros, Livros — casoual @ 4:33 am

Le Google, c’est un paradis. Je confesse: parfois, j’ai des manières abominables, elles peuvent être exquises. L’âge m’a fait igrogne, je suis un misérable et j’aime l’amour mais putain! «o maior pénis do mundo», «power point de piadas de penis modernos», «pénis de negros» [eu falei em coiso uma vez, falei!], «gajas mamalhudas mesmo feias» [por falar em mamíferos?]. Ça alors! Je sais pas ce qui se passe; désolé: l’émission suit Mr. Simplício das Necessidades qui vous fait un résumé. Il a un don.
Je suis pendant mon période de silence. A bientôt.erotic-scene-man-two-women

Novembro 5, 2008

America

Arquivado em: Bloco de Notas — casoual @ 3:01 am

obama1
Centre of equal daughters, equal sons,/
All, all alike endear’d, grown, ungrown, young or old,/
Strong, ample, fair, enduring, capable, rich,/
Perennial with the Earth, with Freedom, Law and Love,/
A grand, sane, towering, seated Mother,/
Chair’d in the adamant of Time.

Walt Whitman, America

Novembro 2, 2008

Só para mudar de página e…

Arquivado em: Bloco de Notas — casoual @ 1:27 am

… dizer que nos vemos obrigados a assim continuar, em pausa.

Outubro 15, 2008

Pausa (quiçá longa!)

Arquivado em: Bloco de Notas, Livros — casoual @ 3:39 pm

Estamos em viagem(ns) e não sabemos quando voltaremos. Contamos dar-vos nota disso o mais breve possível. Por ora, esperando que a expedição não seja demasiado arriscada, resta-nos dizer-vos que procuramos outro lugar no mundo. Que a angústia é o princípio da linguagem, é um lugar-comum que escusamos de reafirmar. E para as perguntas, todas as perguntas, só vemos uma resposta: dúvidas. Mas umas cachimbadas de kif, e a chuva que não tarda aí, talvez produzam o milagre: no campo de batalha. Para terminar, uma pontinha do véu: à pergunta «Para que serve um livro?», Quignard respondeu: «A se cacher dans son angle.» Aqui fica, pois, a primeira impressão, pegada, marca…

… não que andemos propriamente a contar carneiros, mas… eis senão quando tropeçamos em argumentos fortes:

Outubro 12, 2008

Quand les banquiers font le trottoir

Arquivado em: Momentos Pathé — casoual @ 6:58 pm

Outubro 9, 2008

A Rua vs A Casa (portuguesa, tb, sim senhor!)

Arquivado em: Manifes, Polis — casoual @ 11:30 pm

Fritz Lang / Os Nibelungos

Arquivado em: Cinema — casoual @ 10:19 pm

Com tradução e legendagem em português: «No dia 11 de Outubro de 2008, o Teatro Nacional de São Carlos é palco de um encontro cultural excepcional: recorrendo ao primeiro instrumento musical electrónico, o teremin, terá a sua estreia a composição de uma peça especial para ser apresentada em conjunto com o filme mudo „A morte de Siegfried“, do projecto cinematográfico de Fritz Lang „Os Nibelungos“. O evento é parte integrante da programação que o Teatro Nacional de São Carlos e o Goethe-Institut Portugal organizam por ocasião da estreia da ópera “Siegfried” de Richard Wagner em Lisboa.»

A Ler (para além do filme): THE NIBELUNGENLIED
Online Medieval and Classical Library Release #31
Originally written in Middle High German (M.H.G.), sometime around 1200 A.D., although this dating is by no means certain. Author unknown. Translation by Daniel Bussier Shumway, 1909.

Outubro 6, 2008

O(s) robô(s) e a(s) vaca(s)

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 1:16 am

Ou da metáfora da Vaca Europeia, o maior dos lenitivos, mas a paisagem é cada vez mais desoladora.

Resumindo e concluindo: Cerveira Pinto dá-nos o insight. O leite que nos poderá amamentar no futuro.

Imagem: Nikias Skapinakis, capa da revista Colóquio Artes, pormenor de Sedução de Miss Europa

Outubro 4, 2008

A Palin(ódia) do(s) Tóxico(s)

Arquivado em: Bloco de Notas, Jornais, Polis — casoual @ 12:58 am

Anda o mundo tóxico, e, quer-me parecer, tudo começou com o Magalhães, que agora virou virtual (já que, segundo um aluno do Secundário, os pontos cardeais são a direita, a esquerda, em baixo e em cima). Dir-me-ão que a culpa é da(s) máquina(s), et caetera, mas «se elas não se estragassem não seriam humanas». E como isto anda tudo ligado, e o «dentífrico do capitalismo financeiro» demorará algum tempo a «retornar ao tubo», sendo «a confiança o líquido amniótico da Finança, a “perda das águas” pode, em termos bancários, revelar-se fatídica». E ninguém está livre de não participar no circo, pois desde que o mundo é mundo civilizado que há pão e espectáculo. É certo que tivemos as “vacas loucas” e outras folias, o leite tóxico que anteriormente era vermelho, ainda que colorido de branco, mas «activos tóxicos», isso, meus amigos, é uma novidade absoluta. E temos o privilégio de estar a assistir, em directo, pela primeira vez na história da humanidade, à sua erradicação.

Imagem: Jacques Monory, Toxique Nº 15

Setembro 30, 2008

Uma casa portuguesa

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 3:21 pm

Dos rebuçados do Dr. Bayard, aos tronos de Santo António, o advogado das causas perdidas, e terminando no rapa-tacho, que ganhou estatuto simbólico, baptizado como «salazar», há todo um património a conservar. E para citar o nosso mui popular e o maior português de sempre:
«Um povo que tenha a coragem de ser pobre é um povo invencível.»

Imagem: Raul Lino, ilustração do livro A Nossa Casa

Do Trabalho – Quadro VI

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Jornais, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 3:03 pm

«SPA compra silêncio de ex-presidente

Acordo com Luiz Francisco Rebello custa €190 mil mais €3000 por mês vitalícios

Cinco anos depois de ter deixado a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) sob acusações de gestão danosa, Luiz Francisco Rebello recebe agora uma indemnização choruda a troco da desistência de uma queixa que mantinha contra a instituição.

O ex-presidente da SPA e o administrador-delegado da SPA, José Jorge Letria – que foi um dos principais responsáveis pela saída de Rebello, há cinco anos -, chegaram a acordo no dia 4 de Julho. O entendimento prevê que o antigo presidente da SPA receba 190 mil euros até finais de 2009, além de um complemento vitalício de reforma no valor de 3000 euros. Os montantes do acordo, até aqui mantidos sob sigilo, prometem dar brado na assembleia-geral da SPA, que se reúne na segunda-feira.» no Expresso, um jornal da Quadratura do Círculo

Imagem: Patrick Van Caeckenbergh, Project for holy beetles

Setembro 26, 2008

Porque amanhã é sábado

Arquivado em: Bloco de Notas, Polis, Viagens — casoual @ 4:46 pm

Faça como elas, mas não só amanhã. Verá que o mundo tem outra cor:


Mais um momento Pathé: «O Porvir».

Arquivado em: Livros, Momentos Pathé — casoual @ 4:27 pm

Júlio Verne foi escritor. Tinha um dom, como os franceses gostam de dizer. Estávamos no séc. XIX, convém lembrar, não vá algum desses sábios televisivos julgar que estamos a falar do programa Novas Oportunidades. E anteviu muita coisa: automóveis movidos a gasolina, comboios de alta velocidade, calculadoras, a cadeira eléctrica e até uma rede de comunicações telegráficas mundiais, aquilo que, mais coisa menos coisa, denominamos actualmente Internet. Estou em crer mesmo que terá pensado lá com os seus botões, ao prever uma sociedade distópica futura e ao escrever Paris no século XX – ora espreitem aqui o Capítulo I -, terá pensado num Pinto de Sousa a vir. E não é que tinha razão, uma vez mais?

E o seu programa de ensino? Uns excertos: «… l’étude des belles lettres des langues anciennes (le français compris) se trouvait alors à peu près sacrifiée ; … les dictionnaires, les gradus, les grammaires… pourrissaient tranquillement … mais les précis de mathématiques, les traités de descriptive, de mécanique, de physique, … les cours d’industrie pratique, de commerce, de finances … tout ce qui se rapportait aux tendances spéculatives du jour se trouvaient par milliers d’exemplaires. [...] Les bravos redoublèrent à l’appel de ce nom, il fut prononcé soixante quatorze fois pendant cette mémorable journée… il gagna dans cette circonstance une bibliothèque de 3000 volumes. … Les principaux lauréats des sciences dînèrent le soir à la table du Baron de Vercampin au milieu des membres du conseil d’administration et des gros actionnaires. [...] La joie de ces derniers s’expliquera par les chiffres! Le dividende pour l’exercice 1960 venait d’être fixé à 1169 francs par action …La distribution allait bon train et les ricanements éclataient lorsque quelque pauvre diable de la division des lettres, honteux à l’appel de son nom recevait un prix de thème latin… Lorsque le héros de l’histoire Michel Dufrénoy est appelé pour son prix de “vers latins”: L’hilarité fut générale … son prix consistait en un volume unique: “Le manuel du bon usinier”. [...], et caetera et caetera

Imagem: Uma das ilustrações de François Schuiten para o livro de Verne, Paris au XXe siècle

Setembro 18, 2008

Sanctus, sanctus…

Arquivado em: Bloco de Notas, Polis — casoual @ 4:47 pm

Este blogue está de luto pelo Lehman Brothers, Merril Lynch e a AIG.

«… Sanctus, Sanctus…»

Seja como for, é altamente aconselhada a compra deste aparelho de iluminação, OVNI de seu nome, um candeeiro que permite iluminar todo – ou quase – o fenómeno. A pátria será salva. Join the Family.

PS – Notícias de última hora dão como certa a transformação dos EUA (USA) em USSRA, (United Socialist State Republic of America) continues at full speed with the nationalization of AIG

Last week we argued that, with the nationalization of Fannie and Freddie, comrades Bush, Paulson and Bernanke had started transforming the USA into the USSRA (United Socialist State Republic of America). This transformation of the USA into a country where there is socialism for the rich, the well connected and Wall Street (i.e. where profits are privatized and losses are socialized) continues today with the nationalization of AIG.

Setembro 13, 2008

E eles a dar-lhe com o mérito, safa!

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Momentos Pathé, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 12:57 am

Setembro 11, 2008

De 9 a 11 de Setembro

Arquivado em: Bloco de Notas, Polis — casoual @ 2:58 am

On aurait pu éviter tout cela…

Quem matou Massoud, um documentário em 6 partes – de que esta é a primeira – de Didier Martiny

Setembro 8, 2008

Feitiços de Verão – III Série (7)

Arquivado em: Feitiços de Verão, Música, Viagens — casoual @ 1:29 am

Bist du Verliebt?  Dá deus nozes a quem tem cremalheira.

Por aqui, no espetanço. Deitado o coração ao largo, só contam os drifes. «Do catorze!»

- Wie heißt du? Ich heisse…

- Wie findest du die Musik? Und die Großmutter Françoise? Super! Ou por outra: «Do camandro!»

Und drei Großmutters?

Agosto 30, 2008

Uarquechopes

Arquivado em: Viagens — casoual @ 1:59 am

Levo comigo a Linda de Su[Z]a

enquanto vou ali a Bruxelas a um sobre a Nova Ordem Mundial:

e a outro sobre Auto-Defesa, no coração das trevas :

Feitiços de Verão – III Série (6)

Arquivado em: Feitiços de Verão, Música — casoual @ 1:39 am

Momentos yé-yé

Brigitte Fontaine, Devaste-moi

Agosto 27, 2008

As cópulas feéricas no intelecto do Movimento Mérito e Sociedade

Arquivado em: Ad-mirare, Jornais, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 4:19 pm

De um QUASE PENSAMENTO ou das OBRAS QUE DEUS RECOMPENSARÁ NO CÉU: o mais descabelado oportunismo traz inscrito no seu ADN um argumentário apolítico feito de índices técnicos, gestos rápidos, rabiando a víbora. Como a água e o fumo que mexem. É verdade, a terra é áspera, ai filhos de uma mãe! Isto só lá vai com umas canadas sobre a espinha. Aqui a medrar neste sacrossanto território de Marias e Josés!

Declaração de interesses: já fui assaltado, violentamente, várias vezes. Tenho tendência a reagir. A mostrar dor. Algumas deixaram marca. Outras afugentei o estuprador. Nunca por nunca me passaria pela cabeça, sabendo, como sei, que estou fragilizado, poder participar em qualquer decisão, i.e., ter «uma palavra sobre a pena a aplicar ao arguido.»
Por outro lado, nos assaltos de que sou vítima diariamente, pacífica, legal ou semilegalmente, e em que a polícia nada pode fazer, a dor que deveras sinto é não conseguir ter «o espírito de conquista e desembaraço», o MÉRITO de certos portugueses. E seria nestes [assaltos] que gostaria de ter «uma palavra sobre a pena a aplicar ao arguido.» Mas isso, bem sei, é um «sonho numa noite de Verão».

Agosto 26, 2008

Feitiços de Verão – III Série (5)

Arquivado em: Feitiços de Verão, Música — casoual @ 3:20 pm

Momentos yé-yé


Brigitte Bardot, Contact

Agosto 25, 2008

Feitiços de Verão – III Série (4)

Arquivado em: Feitiços de Verão, Música — casoual @ 4:40 pm

Momentos yé-yé


Philippe Nicaud, Cuisses nues, bottes de cuir

Feitiços de Verão – III Série (3)

Arquivado em: Feitiços de Verão, Música — casoual @ 12:28 am

Momentos yé-yé

Françoise Hardy, A quoi ça sert

Agosto 24, 2008

Plágio

Arquivado em: Amanuenses, Jornais — casoual @ 4:43 am

Bernard-Henri Lévy plagia José Rodrigues dos Santos: «Choses vues dans la Géorgie en guerre»

Philippe Cohen lê deliciosamente a reportagem-choque do filósofo mediático na Marianne: «A Gori, BHL ne s’est pas mis à la vodka»: 1 – Os russos gostam de vodka… vale a pena ler o resto.

Agosto 23, 2008

Feitiços de Verão – III Série (2)

Seria mentira se dissesse que, de quando em vez, não espreito o jogador do cubo mágico, como diz Rui Bebiano em «O bom homem, a beldade búlgara e o cavalheiro», e perturbado cartesiano, dilacerado pela dúvida da indumentária, que regista, na sua lógica modernista de ornamento, os seus happenings semanais no Expresso, num verdadeiro dispositivo de encenação de quem sabe há muito que uma galinha é o subterfúgio que o ovo encontra para gerar outro ovo, como anunciava Samuel Butler. E sempre é bom, de quando em vez, relembrar no que deu um dos seguidores do grande timoneiro antes de se converter a Roma e ao Clube de Oxford, entrando no selecto «Ranking da Gentlemanship», dignos promotores da prosperidade e do bem-estar. Benditas gargalhadas que nos provocais!

Imagem: pastores Dinka

António Aragão, 1921-2008

Arquivado em: Bloco de Notas — casoual @ 5:15 am

Agosto 21, 2008

Feitiços de Verão – III Série (1)

Arquivado em: Cinema, Feitiços de Verão — casoual @ 3:23 am

«Im Wannseebad
On Wannsee beach
Year: 1910
See the film (Europa Film Treasures)

The long bathing suits of striped wool grow heavy and the cotton bonnets soak up the water. Men and women are bathing in separate areas. The scene is so animated that the filmmaker takes his camera directly into the water!»

«The Wannsee Bathing Beach (Strandbad Wannsee)

On the eastern shore of the Wannsee, near the island of Schwanenwerder, a magnificent bathing beach extended along a bay of the Havel River which was hemmed by shady pine-trees and where sand dunes gradually flattened out towards the shore. The place had become extremely popular, especially with the reforming ‘Freibadbewegung‘ (‘Open-Air Swimming Movement), since the royal permission for bathing of 1904. The associations for physical culture were supported by contemporaries with liberal and social democratic views while the Conservatives and church associations opposed the ‘moral decline‘. In the ‘family open-air swimming-baths‘ the worlds of the lower middle-class proletarian Berliners and the villa owners clashed.

In 1907, ‘Graf’s Finanzchronik‘ (‘Graf’s Financial Chronicle‘) stated that the numerous gapers, who watched the activities of the bathers as seemingly indifferent walkers, should choose other places for their walks and the open-air swimming-baths should become the ‘swimming-baths of the unpestered poor‘ again. In 1909, two clubs were founded: the ‘Club fideler Sonnenbrüder‘ (‘Club of the Merry Sun Brothers‘) and the ‘Wannseaten‘ (‘Wannseatics‘). Later, the ‘Arbeiter-Schwimmverband‘ (‘Workers‘ Swimming Association‘) was established. [...]»

Do Trabalho – Quadro V

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Momentos Pathé, Polis — casoual @ 12:46 am

Core Values? 1 200 employments? I could realize the acoustic-shock: Castelo Branco and now Santo Tirso. In the future? Brazil maybe or perhaps Sao Tome and Principe…

Agosto 20, 2008

The war: it’s cool, it’s fashion, it’s fun!

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Jornais, Polis — casoual @ 3:59 pm

A propósito do Afeganistão, de mais dez soldados mortos, desta franceses: «[...] ils devenaient à mesure que la guerre avançait, de plus en plus vicieux. [...] Je vous le dis, petits bonshommes, couillons de la vie, battus, rançonnés, transpirants de toujours, je vous préviens, quand les grands de ce monde se mettent à vous aimer, c’est qu’ils vont vous tourner en saucissons de bataille…», Céline, Voyage au bout de la nuit

E que nos diz o «americano-americano» Eric Margolis? Ben voyons allors:

Agosto 17, 2008

As cópulas feéricas no intelecto do Clube dos Pensadores

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 5:26 am

«Vá lá que este humildemente pediu desculpas e agradeceu as ajudas que teve do comité olímpico português , isto é , do governo português via impostos dos portugueses , mas que não conseguiu . Valha-nos essa atitude digna e não comum para quem foi empregado da construção civil.» in A Desilusão de um «Pensador».

E aqui também: «O pensamento do pensador

Imagem: José de Guimarães, O Atleta

Agosto 11, 2008

O Olimpo Chinês…

Arquivado em: Bloco de Notas, Polis — casoual @ 3:22 am

… poderia também ser um quadro branco onde inscreveríamos, ao gosto do taful ou da nini, o branco angélico de certos políticos, a caça aos javalis negros, os pontos brancos dos ciganos, a vida interna do mineral sousa tavares, o bafo de um artista da satisfação interna, a bubble machine dos intelectuais de serviço, o mapa do saara segundo mário lino, as observações sobre o ar condicionado pelas técnicas fadistas de ruben de carvalho, os mapas e modelos da nave magalhães, o apóstolo algarvio de linhas e meridianos aéreos , enfim, toda uma arte da Instalação e da Colecção que o coitado do meu vizinho, que nunca ouviu o cage, se riria ao escutar-lhe a obra-prima 4′33 e nos mostraria todos aqueles dentes podres, muito pouco estéticos, porque ainda não aprendeu a guardar dinheiro para ir ao estomatologista, arrotaria e pensaria com o seu vocabulário lá muito dele: ……………… , imaginando-lhes as férias deste modo:

Agosto 6, 2008

Pergunte que nós respondemos

Arquivado em: Bloco de Notas, Fototeca, Polis — casoual @ 12:00 am


[...] Ó Lisboa das ruas misteriosas!
Da Triste Feia, de João de Deus,
Beco da Índia, Rua das Formosas,
Beco do Fala-Só (os versos meus…)
E outra rua que eu sei de duas Rosas,
Beco do Imaginário, dos Judeus,
Travessa (julgo eu) das Isabéis,
E outras mais que eu ignoro e vós sabeis. [...]
António Nobre

Imagem: Eduardo Gageiro, do álbum Lisboa no Cais da Memória, Restauradores, 1960

Julho 30, 2008

Despedida

Arquivado em: Topos — casoual @ 12:22 am

Bartolomeu dos Santos: As cinzas do artista plástico Bartolomeu Cid dos Santos falecido, no passado dia 21 de Maio, em Londres, irão ser lançadas ao Rio Gilão, em Tavira, no dia 02 de Agosto, Sábado, pelas 18h00.
A cerimónia de despedida terá início, pelas 11h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde lhe será prestada a última homenagem. Em sua honra será descerrada, pelas 18h30, a placa toponímica “Escadinhas Prof. Bartolomeu Cid dos Santos” (antigas escadinhas do Alto de Santa Ana) e inaugurada a exposição “Bartolomeu XXI”, na Casa das Artes, pelas 19h00.

Julho 29, 2008

Quadros musicais *

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Jornais, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 9:18 pm

1 – O Osório, o Luís, essa grande Pérola Futurista do Jornalismo, associa-se a Jardim Gonçalves e traça-lhe a biografia, autorizada. Zita Seabra edita.
2 – Espada, o João Carlos, aconselha «Cold Cream: My Early Life and Other Mistakes» como leitura para férias.
3 – Mónica, a Filomena, diz que «continua agarrada ao passado».
4 – O Cravinho, sonhando ainda com o Socialismo do Futuro, permite que o Martins, o Albano, «lhe faça a folha», digamos assim.
5 – As artes da Marinharia vão sair de Belém e transformar-se numa Champallimoda.
6 – Da Vida Sexual das Fadas, já nem se fala.
7 – Por fim, a Grande China dos Jogos Olímpicos já não tem Cheias para Tapar as Notícias.

* Se quiser dar-lhes vida, clique na imagem.

Julho 13, 2008

«O estado da Nação»

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Momentos Pathé, Polis — casoual @ 6:16 pm


As Alegres Comadres de Windsor ou Deus e o Diabo que se entendam!
Este gordalhuço, sempre à procura de dinheiro com que pagar os seus apetites de luxo, sonhando constantemente com mulheres, sem nunca ter nenhuma de carne e osso, este tolo, vítima das suas próprias farsas, este porco que quer ser serpente e a quem não cortamos o pescoço por piedade, Somos Todos Nós, Eu e o Leitor, pois ele não surgiu do Nada…
A figura de Falstaff é, de certo modo, o diabo a quem queremos pregar uma partida, mas como o achamos fraco, licencioso, vicioso e cândido ao mesmo tempo, achamos-lhe graça, projectamos nele os vícios que desejávamos castigar, e assim o deixamos reproduzir indefinidamente, pois é por ele que a Sociedade, Nós, encontramos a nossa Garantia Moral, é através dele que, afinal, acabamos por nos pôr de acordo sobre o Céu e o Inferno.

Julho 9, 2008

Santa Ingrid Betancourt *

Arquivado em: Ad-mirare, Antimoderno, Blogues, Jornais, Polis — casoual @ 8:07 pm

Para baptizados, praticantes, ex-católicos ou nem por isso:


«Não vos vingueis por vós próprios, caríssimos; mas deixai que seja Deus a castigar, pois está escrito: “É a mim que compete punir, eu é que hei-de retribuir», diz o Senhor.» Rm 12,19


«De nada me serve ter um coração puro e conservar inocentes as minhas mãos! Sou posto à prova a toda a hora; todas as manhãs sou castigado.» Sl 73,13-14

* Livrai-nos do milagre da vossa libertação

Para marxistas, leninistas e outros orientes salvíficos:

Ler a fábrica dos mitos na forma de outras epístolas, entre outras a de Marx a Kugelmann:

Patriota poeta ou Poeta patriota

Arquivado em: Manifes, Polis, Portugal Futurista e Tudo — casoual @ 4:27 am

Desculpem qualquer coisinha, mas não, não é da praia, tenho corrido o país por átrios, galerias e restaurantes lusitanos. E desde que me tornei Poeta e Patriota, com revista e tudo, já não quero outra coisa. Dizer mal do governo era antigamente. Agora louvo o Moreira que é Adriano, embrulho-me no saudosismo do Teixeira, o Braz, estudo a gramática secreta do Telmo, que também é António, peroro com o Augusto Santos Silva, eu sei lá, ando perdido de filosofias búdicas pelas mais louras de Lisboa com o Borges, o Paulo… eu volto, mas sinto-me uma Nova Águia. E isto agora é que vai!

PS-Se quer tornar-se também Patriota Poeta ou Poeta Patriota, leia, ou já agora, contribua escrevendo também uns versos para a Nova Águia. Eu só de os ler já me sinto Poeta. Lusitano. Que é mais.

Junho 26, 2008

Simple(x) mais simple(x) não há

Arquivado em: Ad-mirare, Amanuenses, Antimoderno, Polis — casoual @ 4:14 pm

É Verão. O aeroporto, o deserto, o diploma, o Charrua, todo esse imenso subsolo já lá vai. O Myanmar, o Tibete e outros idem idem aspas aspas. Fátima já passou. O futebol arreou bandeiras. José Viegas fala-nos de um Portugal maior. A Filomena continua atraída pela «misantropia». Para a história natural fica a arqueologia de um choque tecnológico.
Até.

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