(em actualização permanente)
Porque a cultura política exige uma correlação constante entre a teoria e a prática.
Voltaire perguntava-se: «Que é a política se não a arte de mentir a propósito?»
Goethe escrevia e interrogava-se: «Quando o poeta quer fazer política, é obrigado a entrar para um partido e, a começar logo por aí, está perdido para a poesia. Será preciso que abandone a sua liberdade de pensar, a lucidez e a clarividência, que enterre até às orelhas o barrete do pensamento mesquinho e do ódio estúpido?»
Eça, Ramalho, Fialho de Almeida e tantos outros desenharam-nos o político que conhecemos: maneiroso, artificial, ambíguo…
E até António Vieira, político até aos ossos, escreveu nos seus Sermões: «Tempos houve em que os demónios falavam e o mundo ouvia; mas depois que ouviu os políticos, ainda é pior o mundo…»
Vejamos, pois, como vai sendo formulada a prática e a teoria actuais, para o que peço a colaboração dos estimados leitores no sentido de irmos construindo as respectivas entradas e definições.
Propostas de verbetes para dicionarização:
1 aeroporto
s.m. (de aero- + porto) 1.1. Superfície terrestre ou aquática para partida e chegada de aviões. 1.2. Conjunto das instalações e respectivas estruturas dessa superfície destinadas ao apoio do tráfego como escolas e hospitais.
2 caixa
s.f. (do Lat. capsa-) 2.1. Balcão onde se efectuam pagamentos e recebimentos. 2.2. Instituição que se ocupa de blindagens e desblindagens; é substantivo usado na sua forma reduzida por ser caso excepcional, ainda que, por razões de clareza de linguagem, necessitasse da expressão por extenso.
3 charrua
s.f. (do Lat. carruca) 3.1. Arado de rodas grande com jogo dianteiro e uma só aiveva. 3.2. s.m. (do antropónimo [António] Charrua) Nome de qualquer indivíduo que profira comentário jocoso ao poder. S.f. charruadela: acto de charruar ou proferir o referido comentário.
4 choque tecnológico
loc. nomimal 4.1. Um aluno = 1 computador / um professor = 1 computador; 4.2 Expressão da primeira infância do primeiro ministro caracterizada pela maquilhagem com que se quer fazer crer que os portugueses se tornarão mais analfabetos com a devassa magia desta técnica terapêutica por si criada.
5 credibilidade
s.f. (do Lat. credibile-) 5.1. A qualidade daquilo que é crível ou que deve fazer com que a coisa pareça crível, p.e., algumas universidades.
6 deserto
s.m. (do Lat. desertu-) 6.1. Região situada a sul do Tejo e habitada por cerca de um milhão de beduínos. adj. 6.2. Região estéril e não apropriada à construção de aeroportos por carecer de infraestruturas básicas como escolas e hospitais.

7 diploma
s.m. (do Gr. diploma) 7.1. Título, documento oficial com que se confere um cargo, dignidade, mercê ou privilégio. 7.2. Título que consigna habilitações sujeitas a solicitações diplomáticas, como a arte de bem gerir as aparências.
8 DREN
Sigla, f. Instituição zeladora dos bons costumes de todos os professores brincalhões.
9 escola
s.f. (do Lat. schola) Estrutura essencial de apoio ao tráfego de qualquer aeroporto.
10 hospital
s.m. (do Lat. hospitale-) Vd. 9.
11 jamé
adv., estrangeirismo (do francês jamais) Termo utilizado pelo ministro das Obras Públicas para provocar efeitos cómicos sempre que a situação se apresente como muito séria.
12 OTA
Sigla, f., e seus derivados, como otários, etc. Doença caracterizada por conjuntivite aguda e outros fenómenos ainda não estudados que podem ser descritos pelo desejo de construir um aeroporto numa localidade com o mesmo nome.
13 picante
adj. 2 gén. 13.1 Que pica; 13.2 S.m. Qualidade picante. Aquilo que o Presidente da República sentiu como o pior da Índia durante a sua viagem àquele país.
14 pobre
adj. 2 gén. (do Lat. paupere-) Situação em que fica Portugal com a contribuição dos filhos dos imigrantes nacionalizados (no sentido de florescente, um caso de sinonímica ainda em fase de estudo e investigação.)
Imagem: Ellen Gallagher
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