«E é o caso de repetir com Martins Sarmento que o passado está mais perto de nós do que supomos.» Aquilino Ribeiro, Os Avós dos Nossos Avós
«Se bem a entendemos, a lição maior da obra literária de Aquilino, quando a encaramos numa perspectiva histórica e sociológica, e quer a consideremos do ponto de vista artístico quer no seu âmbito humano e português, ou portuguesmente humano, cinge-se a estes pontos fundamentais:
1) Consciência das velhas raízes nacionais de tudo quanto, hoje, é flor ou fruto a sazonar.
2) A perscrutação do passado remoto ou próximo não se filia na renúncia ao presente, mas sim na ânsia da “diagnose de quem somos”, para, dessa consciência das raízes, e de pés bem fincados nesta nossa terra – “Mãe pobre de gente pobre!”, canta Carlos de Oliveira -, se poder sonhar, sem se cair logo de borco na utopia ou no mito.
3) Não é a depressiva saudade que o leva a auscultar o passado, mas a esperança, a tónica esperança abeberada na insatisfação e, por isso, progressiva, de quem prefere ao ocaso evanescente o rosicler da madrugada.
(…)
Ora, revertendo à lição de Aquilino, apraz encará-la também, ou sobretudo, como um apelo ao estudo realista, tão objectivo quanto possível, daquilo que somos, para, em seguida, se projectar com inteligência, afinco e honestidade aquilo que poderemos vir a ser. Não é com esperanças destemperadas que se dirimirá a questão do nosso destino colectivo. (…) Um ponto, porém, é certo: só com raízes solidamente agarradas à terra a árvore poderá desenvolver-se e dar flor e fruto; tão-só no conhecimento das realidades subjacentes aos nossos sonhos poderão eles encontrar a seiva de que se alimentam.» in Joel Serrão, Temas de Cultura Portuguesa, Livros Horizonte
E para contrariar uma certa imagem de Aquilino (para quem o conheça mal, evidentemente), pode ler-se aqui este interessante artigo sobre o autor e o Futurismo, de Dieter Woll, intitulado «Modernismo em Portugal e no Brasil e as Suas Relações Interdisciplinares».
