Legendas & Etcaetera

Julho 31, 2007

M. Antonioni – «Il grido» (o mote)

Arquivado em: Cinema — casoual @ 3:15 pm

«… descrever imagens com palavras provisórias, que depois já não servem, e já isto não é natural. A descrição não pode ser mais que genérica ou falsa, justamente porque diz respeito a imagens muitas vezes privadas de referências concretas. (…)», M. Antonioni (1912-2007)


Em Il Grido, de M. Antonioni, não sabemos se o homem que caminha está na paisagem em que caminha
ou se o fundo aparente da paisagem por onde caminha

é a visualização do que está dentro do homem que caminha.

A alienação sentimental do homem propaga-se, contamina e transfigura a paisagem por onde caminha.

4 Comentários »

  1. Belo texto!!! Profundo! Muito profundo, em particular o último parágrafo que captou a dualidade interactiva existência/sentimento.

    Esta proposta faz-me lembrar o célebre paradoxo de Mach (físico do séc. XIX) que se baseia no princípio da relatividade do movimento:devido à inércia, quando travo de repente, sou projectado para a frente; mas reciprocamente, e continuo a falar no plano estritamente físico-matemático, pode dizer-se que é o Universo inteiro (!!!) que se desloca contra mim… (esta questão ainda não está satisfatoriamente resolvida, tanto quanto eu saiba): isto sugere que há uma incrível unidade entre o sujeito/observador e o Universo que o rodeia.

    A realidade não existe para além do sujeito; existe com ele e certamente para ele. E assim, o sujeito, ao sentir(-se), ao (trans)figurar-se a partir do em-si, (trans)figura necessariamente o seu universo complementar (fora-de-si): deste modo, não é só o seu olhar que muda mas a dos outros, também.

    Caro Carlos Almeida, gostaria ainda de analisar uma frase-chave deste texto “alienação” mas o comentário vai longo e certamente já abusei da sua paciência, pelo que me penitencio.

    Comentário por JJ — Maio 21, 2005 @ 3:40 pm

  2. Aqui a paisagem não é mentirosa, é vazia como o interior do homem que nela se projecta.

    Comentário por JRD — Maio 21, 2005 @ 5:42 pm

  3. Tanto sentido estético! Tanto apelo às profundezas de cada um!
    Tanta inspiração!
    De post para post nem se respira!
    Um abraço!

    Comentário por Madalena — Maio 21, 2005 @ 6:57 pm

  4. Só te vim cumprimentar (acabo de chegar, depois hei-de ler), o teu blog é muito bonito!!, beijo, IO (chuinga).

    Comentário por IO — Maio 22, 2005 @ 5:30 pm


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