Por vezes, sem que por isso perca a sua plenitude, o pensamento reverte ao silêncio. Definindo a lógica como a arte de exprimir o pensamento, nem sempre este se exprime em lógica, através da palavra. Porque também o silêncio é um acto de pensamento. Mas silêncio e mutismo não são a mesma coisa.

Vem isto a propósito – uma vez mais – da loquacidade. A facúndia cansa. Há um outro nome para isso, e sobretudo por estes tempos, os blogues estão cheios dela, ou delas: verborreia, polulogia. É que o falar muito reflecte, regra geral, o pensar pouco. Voltando, então, à lógica, à aristotélica, a incontinência verbal é um sinal de moléstia.
Ao descomando mental, expresso naquele ditado que diz que quem muito fala pouco aprende, contraponho o sentido paidêutico do escutar, antes de falar.
Silêncio, do grego sigê, não significa o abandono da palavra, mas esconder a palavra: sigilo deriva de sigê. E pelo latim se continuou: sibillatio, de simile, signo, símbolo… A palavra rosa diz rosa, mas não é rosa. E a melhor eloquência não obtém o melhor efeito.
Imagens: Alessandro Bavari, S/Título e Pequenos Deuses