Para uma nova história da Arquitectura Popular/Tradicional Portuguesa, o genius loci, a noção do autêntico ou um incentivo de amor ao nosso torrão:

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Como refere João de Pina Cabral: Deverá ser entre “o povo”, e não entre as classes urbanas no poder, que se poderá encontrar a “autenticidade nacional”. (…) Em 1983 Viegas Guerreiro coloca a questão da seguinte forma: “É no povo, em sua espontaneidade, em sua autenticidade, mais do que em qualquer outra classe, que podemos encontrar os elementos da cultura por que esta melhor se define e não na sofisticada sociedade das letras”. Assim, embora o conceito de “povo português” inclua, em princípio, todos os cidadãos portugueses, o facto é que, em vários contextos, a polissemia do conceito permite a exclusão das classes sociais no poder (Pina Cabral 1991: 16-17). Mas quem confere autenticidade ao povo são precisamente as classes urbanas no poder que dele se excluem. É por isso a burguesia quem define, selecciona e purifica, através dos seus próprios critérios de autenticidade, aquilo que faz parte da cultura popular. Daí resulta, como demonstra mais uma vez João de Pina Cabral, uma atitude ambivalente para com o povo. 180 • sandra xavier etnográfica • maio de 2007 • 11 (1): 165-188 [A] procura levada a cabo pela burguesia “culta” de uma identidade nacional e da sua ancestralidade na cultura popular é contraditória, pois ela é acompanhada por uma atitude paternalista de desrespeito e superioridade. Embora a essência “autêntica” da nacionalidade deva ser encontrada no “povo”, o “verdadeiro” conhecimento da nacionalidade (a capacidade de a distinguir, de a definir com autoridade) é um privilégio burguês.»
Imagem (do jornal Público): projecto do Eng. Técnico José Sócrates Pinto de Sousa