… e outras encomendações por R.B., que bem precisa.
«Oh que noute tão escura, oh que noute tão tormenta!
Morreu uma criatura, sem receber o Santíssimo Sacramento.
Apartou-se a alma do corpo, foi ter às faces divinas,
foi fazer contas com Deus, nas suas santas doutrinas.
- Alembra-te lá o que fezestes, nessa tua larga vida!
nunca t’alembrastes de mim, senão depois de estares perdida.
Deixei-te meus dias de jejum, sempre t’apanhei comendo;
deixei-te as minhas vias sacras, sempre te apanhei esquecendo;
acando ias p’rá missa, nunca ias cum atento;
antre o cálix e a hóstia, sempre te apanhei dormente.
Agora vais p’ró inferno, vais arder eternamente!»
in Revista Lusitana, Nova Série, 22-24, 2002-4, A Touca da Virgem Maria, Joaquina de Jesus, 79 anos, Córgas, 5/3/89, p. 149
«Eu ainda me lembro de uma coisa que já tenho contado a esta gente nova. Não querem crer, mas era certo.
Na Curesma, à noite, sentados ao lume, era tirar almas do Purgatório: arranjavam-se uns paninhos brancos e uns pauzinhos. Metia-se o pauzinho no meio do paninho e enrolava-se. Metiam-se na mão 3, 5, 7 ou 9 – nº pernão. Por cada coisinho daqueles a gente rezava um Pai Nosso e fazia-se umas palavras que eu já não me lembro delas: era a Glória ao Pai e depois a gente ia a tirar e o pauzinho estava do lado de cá. Não eram todos. E eu ficava muito contente.
E dizia: já tirei uma, já tirei duas! Eram as almas do Purgatório que saíam quando o pauzinho ficava de fora do paninho.»
Idem, Tradição da Quaresma, Maria Justina, 75 anos, Escalos de Baixo, pp. 144-5
Imagens: Júlia Cota, Religião

