O crescimento é a nova Religião, ecuménica, universal. Algum oficiante, de Direita ou de Esquerda, o contesta?
Há o «crescimento forte», a «produtividade», as «forças produtivas».
E a sua Liturgia: o Marketing.
Paula saiu do emprego. Foi o último dia. Despedida. Enfiou-se no carro. O hábito. Uma mulher livre, entre pessoas livres. A partir daquele momento deixara de haver relógio de ponto. Livre. Estava mau tempo. E uma frase do chefe martelava-lhe o cérebro: «Lamento!» «Lamento!» Deixou de controlar o automóvel.

E à mesma hora, bateu o Manel e a Joana…
Nesse dia, o PNB (Produto Nacional Bruto), ou o PIB (Produto Interno Bruto), subiu, cresceu pela adição das facturas pagas pela Paula, o Manel e a Joana aos produtores, o bate-chapas, o médico, o psicólogo.
Assim concluíram todos os jornais económicos.
Imagem: Alfred Stieglitz, Icy night