Legendas & Etcaetera

Abril 16, 2008

O Acordo Ortográfico – I

Arquivar em: Ad-mirare, Amanuenses, Bloco de Notas — casoual @ 1:00 am

Para C

Escrevem-me a pedir opinião sobre o Acordo Ortográfico (isto mais parece um apontamento à maneira de um certo literataço, reconhecê-lo-ão por certo, mas enfim, cá vai ela em vários rascunhos):

1 – Aquilo de que muitos falam e quase ninguém leu: a) o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa; b) o Acordo do 2º Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

2 – O Acordo Ortográfico é um acordo ortográfico (une lapalissade, mas convém insistir no truísmo, pourvu qu’il vous divertisse).

3 – Um tentame de resposta foi dado há já algum tempo por mim aqui, aqui e aqui.

4 – Um Instituto que é uma figura de estilo, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, diz bem do terreno onde alguns se movem. Objectivos fundamentais e estatutários: a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua, uma organização cheia de humildade.

5 – De como o outsourcing – palavra chiquérrima esta, não é? trocada por miúdos «contratação ou aquisição de serviços periféricos» – já chegou a este mundo… De especialização, diz o conceito, não sei o que, por exemplo, isto pode ter.

Suspiro final por hoje: o meu espírito, e por isso nada mais dissera até agora, é feito de perplexidades, interrogações, dúvidas. E é-me cada vez mais uma violência dizer o que quer que seja: há esforço, trabalho, no que faço, e o prestígio da doxa não tolera tal coisa. O Phalo Português é cada vez mais assertivo, peremptório. Ainda assim, não desisti, pois a doxa pode ser abordada e analisada como portadora de valores, nomeadamente como estratégia discursiva ou como interacção no interior de um grupo. Como dizia Kraus: die Katastrophe der Phrasen.

Imagem: Representação de diferentes cortes dos bicos das penas; ornatos caligráficos, gravura a buril, de José Lúcio da Costa

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