Legendas & Etcaetera

Abril 19, 2008

Acordo Ortográfico – II

Arquivar em: Bloco de Notas, Stultifera Navis — casoual @ 12:34 am

Para P.

Desculpará, caro leitor, a interrupção, mas voltam a escrever-me, desta vez pedindo-me que declare publicamente eventuais interesses no assunto. Este, enredado em laços e enlaces, está a deixar-me à beira de um ataque de sarna. No entretanto, para que conste, pois então:

Minha pátria não é a língua portuguesa nem qualquer lágrima literária

«A minha pátria é entre o Dia e o Sonho», R. M. Rilke

miradouro-da-lua-luanda.jpg

Infância, território do meu país. Osmose de um sentido sem fronteiras, essência de acasos, liturgia da visão obscura, fluidez atmosférica, móbil de uma qualquer pergunta sem resposta.
A minha infância não tem bandeiras, marchas ou hinos heróicos; tão-pouco castelos ou sacro-impérios. O seu ritual é sibilino como o voo da solitária águia ou o veado que a sede apaga na imagem da elegância.
Infância, nação dos balbúcios, cidadã do grito xamânico vasculhando as poderosas origens. Dela me debruço, por sob o seu mineral brilho, efémero como um gesto.
Oh! mímica do silêncio instalado sonhado ultrapassar-se.
Minha pátria não é a língua portuguesa nem qualquer lágrima literária: é vida tremendo por fazer-se.

Imagem: Miradouro da Lua, Luanda

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