«Formoso espectáculo de um país próspero!», O Conde d’Abranhos, Eça de Queirós
Morre o “cónego-bomba” e que têm eles a dizer? Tudo parece um bom-bocado: açúcar, gemas de ovos, coco ou amêndoas… Depois de monsenhor, medalhado por mérito por S. Exª o Presidente da República, das «honrosas dívidas de gratidão», só falta a estátua. Venha ela, pois.

Só me ocorre O Conde d’Abranhos para este país sem vergonha, pior, sem memória, com as suas rábulas:
«Quantas vezes me disse o Conde ser este o segredo das Democracias Constitucionais: “Eu, que sou governo, fraco mas hábil, dou aparentemente a Soberania ao povo, que é forte e simples. Mas, como a falta de educação o mantém na imbecilidade, e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer essa soberania em meu proveito… E quanto ao seu proveito… adeus, ó compadre!
Ponho-lhe na mão uma espada; e ele, baboso, diz: eu sou a Força! Coloco-lhe no regaço uma bolsa, e ele, inchado, afirma: eu sou a Fazenda! Ponho-lhe diante do nariz um livro, e ele exclama, de papo: eu sou a Lei! Idiota! Não vê que por trás dele, sou eu, astuto manejador de títeres, quem move os cordéis que prendem a Espada, a Bolsa e o Livro!»