«Princípio de realidade», isto: nada, niente, a 20/05, às 23,11 horas. Que caretas!
[A propósito, o glossário era, realmente, pobrezinho, por isso, aqui vão mais umas contribuições: «Acto de tapar a boca da vítima com as mãos ou objectos, a fim de que ela não grite (Alfredo Augusto Lopes, Termos de Calão e Gíria Portuguesa); «Pessoa que não evoluiu, que cristalizou, antiquada» (idem); «polícia» (ibidem); «termo que define a pessoa que não pertence ao meio, classificada conforme os seus tipos, em: careta, selecta, fixe ou bera (Eduardo Nobre, O Calão-Dic. da Gíria Portuguesa).]
Prefiro, no entanto, de longe, a poética da surpresa de jornalistas como este: «Dicionário de calão sobre droga revolta pais» – sublinho, pais – e ainda: «(…) enquanto psicólogos contactados pela Lusa consideram que podem “fomentar um estilo de vida pouco saudável”.» – sublinho: psicólogos contactados pela Lusa – ao estranhamento ante as palavras do Henri Michaux: «Via algumas reproduções de pintura e algumas fotografias. Uma delas era o retrato de uma mulher. Ia a passar a outra quando… ganhou vida. Sim, estava viva. Em mim. Comigo. [...] A mulher não se ia embora, fazia a sua vida à minha frente, uma vida vibrante, no mesmo lugar, uma vida ligada à minha companhia. A impossível vida em conjunto realizava-se de improviso com uma facilidade miraculosa.» Connaissance par les gouffres
Mas adiante na matéria, que me ocorreu, com o anteriormente dito, e os Maios de 68, o Jerry Rubin, fundador do movimento hippie, e que dizia: «A erva transforma o meio ambiente. Todas as barreiras que nos separam uns dos outros são abolidas. A erva viaja através de um quarto como um beijo em contínuo movimento.» Do it, outra viagem, a do «Bicycle day», no passado dia 19, aquela em que o Dr. Albert Hofmann tripou com250 µg de LSD, e que veio a inspirar posteriormente coisas como Sgt Pepper’s e o Psychedelic rock.
* Título de uma recolha de poemas de Apollinaire
Imagem: Isaac Abrams, All Things are One Thing
