Conhecereis, certamente, a expressão «pão político», ou aqueloutra de «bacalhau político» ou «bacalhau corporativo», utilizada por analogia com a primeira, vinda dos governos da Primeira República.

Pois é o que me sugere cada vez mais o estado da nação, descontado o lado da autarcia. Salvaguardadas as devidas distâncias históricas, os actores sociais contestatários, os que ainda o podem ser, do status quo , vão beneficiando, ainda que desconfiando dela, da ordem estabelecida. Não nos afastámos muito de uma Comissão Reguladora do Comércio de Bacalhau. Resta-nos, porventura, a sorte de não haver homem providencial que personifique a obra, mas há, desgraçadamente, continua a haver, aquela subterrânea rede de interesses e uns quantos árbitros invocando a ambígua fórmula do interesse nacional tão do agrado do Almirante. Resta dizer que então como agora, mesmo com um Senhor dos Navegantes, a frota era pequena, fraca e incipiente, apesar de todas as encenações.
PS: E nem de propósito, a Joana Lopes acaba de informar-me da abertura do Caminhos da Memória, um blogue que pretende dar voz a formas de lembrar, de evocar e de interpretar o passado, recorrendo a leituras contemporâneas da história e da memória, tendo como redactores Diana Andringa, Irene Pimentel, Joana Lopes, Maria Manuela Cruzeiro, Miguel Cardina, Raimundo Narciso e Rui Bebiano.